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México: Prisão do prefeito e esposa acusados por massacre contra estudantes pode solucionar mistério

Foram presos na madrugada desta terça-feira, 4 de novembro, o prefeito licenciado de Iguala, José Luis Abarca, e sua esposa, Maria de los Ángeles Pineda, acusados de ordenarem o massacre contra estudantes normalistas, no último dia 27 de setembro. Agentes policiais e membros do grupo narcotraficante Guerreros Unidos apontam os dois como mandantes dos ataques que deixaram seis mortos, 20 feridos e 43 desaparecidos enquanto os jovens se deslocavam na estrada a caminho de manifestação estudantil, em uma localidade a 200 quilômetros da Cidade do México.
 
O casal foi capturado às 2h30 da madrugada, numa casa de um bairro pobre da cidade de Iztapalapa, zona leste do Distrito Federal, por meio de uma operação do grupo de elite da Polícia Federal. O prefeito e primeira-dama foram encaminhados à Subprocuradoria Especializada em Investigação de Delinquência Organizada para prestarem depoimento. Os dois são considerados a peças-chave para esclarecer o massacre e desvendar o desaparecimento dos 43 estudantes, que já dura 40 dias e mobiliza a população mexicana em busca de explicações. Hipóteses apontam que os estudantes teriam sido assassinados por meio de cremação coletiva.
 
No último dia 22 de outubro, o procurador geral do México, Jesús Murillo Karam, chegou a confirmar à imprensa a responsabilidade do casal, juntamente com três outras pessoas, pelo mistério em torno do paradeiro dos jovens. De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), policiais de Iguala teriam levado detidos os 43 estudantes, os estragaram a agentes de polícia do município vizinho, Cocula, que, por sua vez, encaminharam os jovens a integrantes do grupo narcotraficante Guerreros Unidos.
 
Segundo as investigações policiais, o prefeito teria ordenado o massacre para evitar que os estudantes impedissem um ato político de sua esposa, que iniciava a campanha eleitoral para sucedê-lo no cargo de chefe do Município de Iguala. Em julho de 2013, normalistas haviam protestado diante da Prefeitura de Iguala por conta do assassinato de integrantes da organização mexicana Unidade Popular. No momento dos ataques, o casal participava de uma festa que reunia aliados políticos.
 
A ordem de parar os normalistas, bloqueando a estrada e evitando o deslocamento dos ônibus que transportavam os estudantes, teria vindo por meio de rádio. Após o massacre, Abarca afirmou não saber de nada, discurso que repetiu pelos três dias posteriores. No dia 30 de setembro, o prefeito pediu licença do cargo e fugiu com sua mulher.
 
Envolvimentos no crime
Dois irmãos de Maria Pineda trabalhavam para o cartel narcotraficante dos irmãos Arturo, Alfredo, Carlos e Héctor Beltrán Leyva, organização criminosa que operou de 2008 a 2014, mas foram assassinados ainda em 2009, acusados de traição. Cinco dias após o massacre de Iguala, foi detido Héctor Beltrán.
 
Desde o dia dos ataques, já foram presas mais de 50 pessoas para prestarem esclarecimentos sobre o caso. Os primeiros testemunhos conduziram a fossas clandestinas, onde foram localizados pelo menos 30 corpos incinerados. Inicialmente, a perícia forense descartou a possibilidade de se tratarem dos restos mortais dos estudantes sequestrados. Dias depois, entretanto, o promotor Murillo Karam alertou para a probabilidade de manipulação dos resultados pela Procuradoria de Guerrero.
 
Os familiares dos 43 desaparecidos descartaram as investigações judiciais sobre as fossas clandestinas e afirmaram que apenas confiarão em provas levantadas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), que colabora com o caso a pedido dos pais e das mães dos estudantes. A expectativa é de que os primeiros resultados sejam divulgados na próxima semana.
 

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