As 12:10 da manhã deste domingo 04 de maio se chegou a um acordo entre os representantes dos trabalhadores de SIDOR e o Governo Nacional sobre o Contrato Coletivo. Desde esta hora começamos a festejar novamente nas ruas de Cuidad Guayana. Estes heróicos trabalhadores que durantes mais de 15 meses lutaram por seu contrato coletivo e pela nacionalização de SIDOR, deram um novo passo, ao acordar as condições em que se assinara o contrato coletivo da nova siderúrgica do Orinoco. A siderúrgica Estatal a serviço da Revolução.
José Meléndez, secretário de Finanças de SUTIIS, que durante todos estes meses expressou a través de Marea Socialista e Aporrea as novidades sobre a evolução do conflito se ouvia cansado, porém feliz quando o consultamos por telefone. Nos explica a situação da seguinte maneira.
“Enfim podemos dizer que chegamos a um acordo sobre nosso contrato coletivo. Durante toda a tarde e a noite dialoga-mos com a representação do governo e acordamos pontos fundamentais que estávamos reivindicando faz mais 15 meses. Agora acabou a tensão de todos estes dias, amanha segunda, a partir da reunião com o presidente Chávez, firmaremos o novo contrato coletivo, que em primeiro lugar vai durar o tempo que corresponde, e não um ano como pretendia TERNIUM, será o momento de impulsionar com tudo a produção de um dos melhores aços do mundo, porém agora a serviço da Revolução Bolivariana”.
“Afrouxa-se a tensão provocada por tanto tempo de espera e por a suspensão de algumas reuniões. Os resultados não são todos os que aspirávamos, porém estão dentro do que pretendíamos. Se nós trabalhadores de SIDOR, fomos capazes de dialogar com a transnacional, não poderíamos fazer menos com o Governo Nacional agora que empresa é dos trabalhadores e o povo revolucionário da Venezuela. Os objetivos principais se cumpriram, os trabalhadores sentem que conseguimos um grande triunfo. Difamaram-nos por todos os meios de comunicação, nos reprimiram, nos fizeram todo tipo de armadilha, porém aqui esta o resultado. Ganhamos em todas as leis. Fomos incansáveis, por que nos, trabalhadores revolucionários, somos mais conseqüentes, fomos melhores e mais inteligentes que a patronal da transnacional e muito mais dignos que os setores da direita endógena representados pelo ex-ministro do trabalho”.
“Na segunda feira, nos reuniremos com o presidente Chávez para assinar, formalmente, o acordo que alcançamos esta noite”, dizia Meléndez, ainda emocionado. “A alegria depois de tantos meses de luta é enorme. E sobre tudo por que já demonstramos que quando nos, os trabalhadores, somos tratados como seres humanos, quando se respeita nossa dignidade, somos capazes de fazer enormes esforços a serviço da revolução. Só para mencionar um fato que alguns conhecem, a partir do primeiro dia da nacionalização, duplicamos a produção de aço e estamos fazendo controle e inspeção para assegurarmos que não se siga roubando o povo da Venezuela”.
“Uma de nossas maiores alegrias é que de maneira inédita ingressarão como trabalhadores de SIDOR mais de 800 trabalhadores terceirizados e que já esta se formando uma comissão para ir organizando o ingresso dos demais”, também informou Meléndez, agregando que: “O aumento salarial que é de Bs.F 53,00, os quais serão distribuídos da seguinte maneira: Bs.F 33,00 na assinatura do contrato, mas Bs.F em novembro deste ano e Bs.F 10,00 para lo próximo ano; o reconhecimento de 10% de mérito que até agora não se reconhecia; um bônus retroativo de Bs.f 35 mil; o pagamento, com o salário correto, da férias, etc.., são conquistas fundamentais, porém o ingresso dos companheiros que foram super explorados por anos nos enche de alegria, ainda que não tenha atingido a todos por agora”.
Para concluir disse: “além de seguir o desenvolvimento do tema dos terceirizados, agora, nós dedicaremos de corpo e alma a botar de pé a siderúrgica mais importante da America Latina. Estamos seguros de que nos, trabalhadores, podemos fazê-lo melhor que qualquer tecnocrata. Já estamos provando. Por isso agora vamos pelo controle e gestão democrática por parte dos trabalhadores da nova SIDOR, a SIDOR que vai ser um pilar para a revolução que caminha rumo ao socialismo.
O processo bolivariano esta vivo
SIDOR, um fato que muda a situação e permite um avanço do processo em direção ao socialismo.
Evidente a nacionalização de SIDOR foi o fato político mais importante de ultimo período e que os trabalhadores de SIDOR e de Guayana foram os principais responsáveis pela nacionalização que levou a cabo o presidente Chávez. Mas este não foi o único elemento novo na atual situação da Venezuela que em seu processo desigual de desenvolvimento esteve marcado por alguns avanços significativos.
Um dos primeiros elementos que tem muita importância foi incorporação Haiman El Troudi como ministro do planejamento. Como conseqüência da nomeação de Haiman El Troudi algumas medidas foram tomadas no sentido de buscar resolver alguns problemas de caráter mais econômico como o controle do Dólar e, mais importante, a nacionalização do Setor do Cimento que vinha exportando boa parte da produção nacional em prejuízo do mercado interno o que inviabiliza qualquer política para resolver o problema do deficit habitacional, ainda para combater um dos responsáveis pela derrota de 2D Chávez inicia um processo de nacionalização do setor lácteo com a comprar de varias industria de beneficiamento de leite e a instituiçao de outros mecanismos de distribuição (venda) de alimentos direto a populaçao com preços subsidiados desta politica deriva a compra da fabrica da Parmalat e Los Andes
PSUV – A direita endógena leva um duro golpe
Também do ponto de vista da disputa da direção político do processo, o resultado da eleições para a direção nacional do PSUV foi muito importante por que representa uma derrota para os setores mais burocrático e conciliadores do bolivarianismo na medida em que a corrente de Deusdado Cabello obteve uma votação pouco significativa onde este se viu excluído entre os titulares ficando como suplente por mais que na seqüência do processo fosse promovido a ser parte da direção o que fica é a disposição da base do Chavismo de combater estes setores. Assim que com todas as suas contradições o resultado expressou um forte sentimento anti-burocrático e anticorrupção e socialista.
Outro aspecto importante de assinalar foi o congresso do PSUV, que da mesma maneira foi bastante contraditório do ponto de vista dos métodos, dado a necessidade que sente este setor mais burocrático de controlar todos os aspectos da vida política do PSUV. Ainda assim um 30% dos delegados mais conscientes que poderíamos configurar como o campo revolucionário formado por delegados não vinculados aos aparatos de estados sem vínculos orgânicos com a burocracia e que representam setores mais de bases populares e sindicais em luta na Venezuela que conseguiram aprovar um programa político para o partido que serve muito bem para demarcar os limites com os reformismos e com os setores conciliadores e ponta para a construçao de um partido de combate para a construção do socialismo.
SIDOR divisor de águas, uma nova fase se abre no processo venezuelano
A nacionalização de SIDOR não pode ser compreendida no mesmo marco dos outros processos de nacionalização, por que ao contrario do que se passou com a nacionalização do petróleo que foi mais uma reação de Chávez a ofensiva imperialista ou a não renovação da concessão de operação da RCTV que respondia a mesma política e onde o afetado era o mesmo um inimigo claro o imperialismo e seus agentes diretos, em SIDOR é uma nacionalização contra a patronal argentina
No caso de SIDOR há uma mudança, quem pressiona e pela primeira vez de maneira realmente for
te é a classe trabalhadora, pela primeira vez ao longo de quase todo o processo os trabalhadores conseguiram pautar a agenda do Governo, primeiro por que elegeram o inimigo correto ao exigir da empresa o respeito a legislação do país, segundo por denunciar de maneira clara que Techim estava sabotando o desenvolvimento do pais ao redizir a produção da empresa e não mais transforma matéria prima em insumos para a industria nacional, a direção da empresa fechou uma industria que transformava os lingotes de ferro em tubos de aço que são utilizados na industria nacional o que fazia o pais importar uma coisa que já se produzia na própria Venezuela, depois a exigência de incorporação dos terceirizados colocou a opinião publica de Cuidad Guayana (esto Bolivar sede da empresa) ao lado dos trabalhadores de SIDOR e por fim a denuncia clara do papel nefasto que cumpria o ministro do trabalho jogando o jogo da patronal.
Mudança nas relações na America Latina produto da nacionalização de SIDOR.
Uma semana antes da nacionalização no questionávamos se de fato isso poderia ser uma opção dado as relações que tem o governo venezuelano e o próprio Chávez com uma dos seus principais aliados no continente, fato de Terminun SIDOR ser um multinacional de capitais Venezuelanos, Italiano, Argentinos e Brasileiros.
A siderúrgica SIDOR, era até hoje, uma das maiores siderúrgicas privadas da America Latina, privatizada em 1997 a empresa foi comprada pela multinacional Ítalo-Argentina, que contava inclusive com capitais da Usiminas, por uma bagatela no governo de Caldera no auge da implementação das medidas neoliberais em toda a America Latina. O fato é que a nacionalização de SIDOR em muitos aspectos afeta em seu conjunto situação latino America que antes deste fato estava marcada por uma forte ofensiva do imperialismo e seus agentes em Colômbia com as agressões de Uribe ao Equador e suas narco-política, no Peru com uma forte ofensiva do Governo de Alan Garcia contra as mobilizações populares e a tentativa de prender o líder nacionalista Ollanta Humala, assim como o movimento de secessão de direita contra o governo de EVo Morales da Bolívia. A nacionalização de SIDOR do ponto de vista estrutural representa um golpe na ofensiva neoliberal e um fortalecimento para a luta dos povos Latino Americanos pelo controle de seu patrimônio natural e suas riquezas.
“¡La clase obrera es imprescindible para la construcción del socialismo!”
(Hugo Chávez – 30 de abril, 2008)
Outro aspecto fundamental da situação política da Venezuela produto/causa da nacionalização de SIDOR é o fortalecimento da classe trabalhadora como sujeito social organizado no processo. Depois do paro petroleiro esta foi a participação mais importante dos trabalhadores para aprofundar o processo o que pode abrir o caminho para a reconstrução da UNT e para o fortalecimento do movimento sindical como sujeito do processo revolucionário e abrir um cenário novo de maior combate entre os setores mais conseqüentes e a burocracia bolivariana.
Neste cenário novo o papel que jogou Chávez também foi muito importante primeiro ao reconhecer e enfatizar o papel da classe trabalhadora neste processo ““El socialismo es el proyecto específico de la clase obrera, y de la clase obrera se tiene que expandir a la Nación toda”
E também ao demitir o ministro do trabalho deslegitimou a política da FSBT de construção de um nova central sindical ao no centro dos atos oficiais a necessidade de unificação do movimento operário “Es imperativa la unidad de la clase obrera venezolana, es imperativa la unidad con el pueblo venezolano. Es fundamental en este momento histórico”, em torno dos três Rs (Revisão, Retificação, Re-impulso) convocando os principais dirigentes sindicais do pais para estar tanto no ato de anuncio do aumento do salário mínimo e salários dos servidores públicos em 30% e da assinatura do decreto de nacionalização de SIDOR, entre os quais esteve Stalin Borges dirigente nacional de UNT , José Melendes dirigente de SUTISS (Sindicato dos trabalhadores de SIDRO) e Marcos Garcia dirigente da Federação de Empregados Público.
É evidente que o aprofundamento destes triunfos dependeram agora da capacidade de organização da classe trabalhadora em tono de lutas concretas e reivindicações justas que de fato estejam a serviço do re-impulso do processo bolivariano, defendendo ao governo e suas alas progressivas, e que sejam capazes de empalmar com o sentimento dos milhares de trabalhadores e trabalhadores que estiveram presentes no ato do primeiro de maio, um dois maiores dos últimos anos.
Caracas 04 de maio de 2008
Por: Stalin Pérez Borges. Prensa Marea Socialista
data de publicação: 04/05/08
Tradução: Antonio Neto (Psol – Brasil) en Caracas.

