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Oposição ganha eleição da Fasubra e PSOL é maioria na nova direção

Do PSOL Nacional, Leonor Costa
 
Os mais de 1.200 servidores de universidades brasileiras que participaram do XXII Congresso Nacional da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas), realizado de 4 a 8 de maio, elegeram, ao final, a nova direção que ficará à frente da entidade nos próximos dois anos. E, após uma acirrada disputa que contou com a participação de duas chapas, compostas pelas diversas forças políticas que atuam no movimento sindical da categoria, os delegados do Congresso decidiram romper com o atrelamento ao governo e dar um rumo à esquerda à entidade que os representa. Foi eleita, com 648 votos, a Chapa 1 – Unificar pra Lutar, contra 620 votos, dadas à Chapa 2 – Reafirmar a Luta.
 
Formado pelos coletivos do PSOL que atuam na Fasubra, por militantes do PSTU, PCB, MLC (Movimento Luta de Classes) e por diversos grupos regionais e independentes, o campo vencedor preencherá 13 cargos na direção da Fasubra, podendo indicar dois dos três coordenadores gerais. E desses 13 cargos, seis serão ocupados por militantes do PSOL, incluindo uma coordenação-geral.
 
Na avaliação de Bernadete Menezes (Berna), servidora da UFRGs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e uma das dirigentes do PSOL que integrará a nova direção da Fasubra, essa vitória, consolidada na última sexta-feira (08), representa um novo rumo para o movimento sindical dos servidores das universidades públicas brasileiras. “Sem dúvida foi uma vitória importante. E um dos principais avanços já articulados pela chapa vencedora foi a aprovação do indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 28 de maio, em unidade com as demais entidades do ramo da Educação (Andes-SN e Sinasefe)”, explica Berna.
 
De acordo com ela, o movimento nacional de greve cobrará do governo da presidente Dilma Rousseff uma negociação efetiva em torno da pauta de reivindicação dos servidores, que inclui os 27% de reposição salarial (índice unificado com as demais categorias dos servidores federais); reestruturação da carreira; reversão do processo de privatização em curso nas universidades públicas; reposicionamento dos servidores aposentados na carreira, com isonomia em relação aos da ativa; reversão da lei que criou a Ebserh; definição de turnos contínuos e 30 horas sem redução salarial; democratização das instituições de ensino, com eleições paritárias para os dirigentes; estruturação de creches nas universidades para a comunidade; fim da terceirização e concurso público via Regime Jurídico Único, entre outras.
 
Para o servidor da Universidade de Brasília (UnB), que também assume um dos cargos da coordenação-geral, Rogério Marzola, essa vitória é parte da ruptura da base da categoria com o petismo e com a Central Única dos Trabalhadores. “Após anos de arrocho salarial, perdas de 27,3%, descumprimento de acordos de greve anteriores e da lei que determina a revisão de nosso plano de carreira, perseguições e processos contra dirigentes sindicais, ataque às universidades e um brutal processo que caminha na direção da privatização das universidades, via fundações, terceirizações, Ebserh (empresa pública de direito privado criada para celebrar contratos de gestão com as universidades assumindo o comando de hospitais universitários), a categoria disse basta, disse que esse governo não está em disputa, mas que é nosso adversário e adversário dos interesses da maioria da população. Disse, ainda, que não serão os trabalhadores do serviço público, nem a qualidade dos serviços que prestamos à população, que pagarão a conta da crise gerada pelas elites dominantes”, ressalta Marzola.
 
Além da luta nacional, em conjunto com as demais entidades dos servidores federais, a nova gestão da Fasubra também assume com o compromisso, segundo o novo coordenador-geral, de enfrentar os governos estaduais, como o de Geraldo Alckmin, em São Paulo, onde está sendo realizada uma campanha que pode culminar numa greve em 19 de maio a partir da Unicamp, e o do Paraná, nas universidades estaduais, de enfrentamento aos ataques de Beto Richa contra os professores, incluindo os das universidades estaduais. 
 
Principais bandeiras de luta
Um dos embates que a chapa vencedora nas eleições da Fasubra enfrentará é contra as políticas do governo federal, de ajuste fiscal e que ameaçam os direitos dos trabalhadores. Rogério Marzola explica que, diferentemente do grupo que saiu derrotado, o campo Unificar pra Lutar se coloca como oposição de esquerda ao governo da presidente Dilma. Nesse sentido, já assume a gestão da entidade exigindo o fim do ajuste fiscal e da política de superávit primário, a suspensão do pagamento da dívida, a rigorosa apuração de casos de corrupção, em especial o que envolve a Petrobras, com prisão e punição de todos os corruptos e corruptores e suspensão de contratos e expropriação de bens dos mesmos para ressarcir a empresa, que deve ser 100% estatal.
 
“Defendemos também a unificação de todos os setores que se encontram em marcha contra o arrocho e a recessão gerada pelo governo, na perspectiva de construirmos a greve geral. Encampamos, desde a plenária de março da Fasubra, realizada no Rio de Janeiro, o ‘Fora Renan’ e o ‘Fora Eduardo Cunha’, e investigação de Dilma e Aécio (Neves, candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais), ao que juntamos agora o ‘Fora Beto Richa’. E somos intransigentes na defesa dos serviços públicos, gratuitos, de qualidade e com compromisso social. Por isso, enfrentaremos todos os processos de privatização, via PPP’s (Parcerias público-privadas), OS’s (organizações sociais privadas), Ebserh, fundações de apoio, terceirizações, concessões ou outros instrumentos”, enfatiza Marzola.
 
Derrota do governismo
A Chapa 2 – Reafirmar a Luta, derrotada na eleição do último dia 8 de maio, reúne alguns coletivos independentes e outros ligados a forças que se organizam no PT, no caso cutistas, e no PCdoB, que constroem a CTB (Central dos Trabalhadores Brasileiros).
 
Esse campo, reconhecido como “governista”, estava em maioria na gestão que se encerrou, ocupando 14 dos 25 cargos na direção, contra 11 do grupo que agora saiu vitorioso nas urnas.
 
“Com a nova eleição, além de manter as duas coordenações gerais que já estávamos ocupando, passamos a ser 13 de 25 diretores, ou seja, pela primeira vez maioria absoluta”, ressalta o novo coordenador-geral da Fasubra, que também é representante de base junto ao Sintfub (Sindicato dos Servidores da UnB) e representante dos trabalhadores da UnB na Comissão Interna de Supervisão da Carreira.

 

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