Leonor Costa, do site do PSOL Nacional
Randolfe vai à capital baiana a convite dos militantes do PSOL no Estado. Na ocasião, senador também visitará quilombo Rio dos Macacos e se reunirá com movimentos sociais
O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Randolfe Rodrigues (AP), participa nesta quinta-feira (16) da principal festa religiosa de Salvador e uma das maiores manifestações populares do Brasil, a Lavagem do Bonfim. Celebrada sempre na segunda quinta-feira do ano, na lavagem milhares de pessoas vestidas de branco (numa homenagem a Oxalá, divindade do candomblé que é associada ao Senhor Bom Jesus do Bonfim) seguem em animado cortejo da Basílica da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, até a Colina Sagrada, no Bonfim, num percurso de oito quilômetros. Uma queima de fogos de artifício anuncia o início da caminhada. Em seguida, as baianas, com seus jarros de flores e água de cheiro (mistura de seiva de alfazema com água de flores) seguem em direção à Colina para lavar o adro e as escadarias da Igreja do Bonfim. Autoridades, fiéis, pagadores de promessa e foliões acompanham o cortejo a pé, em carroças e caminhões enfeitados.
Randolfe estará acompanhado do presidente do PSOL Nacional, Luiz Araújo, do pré-candidato do PSOL ao governo do Estado, Marcos Mendes, e de militantes do partido na Bahia. “A Lavagem do Bonfim é uma das maiores festas do país, em que são preservadas as tradições religiosas e culturais do povo baiano, com seu belo sincretismo. Vamos ver de perto essa celebração e levar o nosso respeito às representações religiosas”, explica o pré-candidato do PSOL e senador Randolfe Rodrigues.
Visita a quilombo e reunião com movimentos sociais
No dia anterior à festa da Lavagem do Bonfim, o senador e o presidente do PSOL visitarão o quilombo Rio dos Macacos. Recentemente dois irmãos quilombolas foram agredidos e detidos por oficiais da Marinha, na Base Naval de Aratu, quando tentavam retornar ao quilombo, onde moram. Alvo de uma disputa judicial, o quilombo fica em uma área controlada pela Marinha e os moradores, para chegarem a suas casas, são obrigados a passar por um portão controlado pelos militares.
Segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o governo federal tenta acordo para transferir os moradores para outro terreno da União, mas os quilombolas, que há viárias gerações ocupam a área, resistem em sair do local. Estudo técnico realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apurou detalhes sobre a ocupação e reconheceu a área como terreno quilombola.
Ainda na quarta-feira (15) à tarde, o senador se reunirá com lideranças de movimentos sociais para receber deles reivindicações que serão consideradas na elaboração do programa à eleição presidencial.
Sobre a Lavagem do Bonfim
Nesta quarta-feira (15), a festa receberá, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o título de Patrimônio Imaterial Nacional.
As homenagens tiveram início em 1754, quando a imagem do Senhor Crucificado – trazida em 1745 pelo Capitão do Mar e Guerra da Marinha Portuguesa, Teodósio Rodrigues – foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria Igreja, na Colina Sagrada. A tradição de lavar o adro da igreja com água de cheiro nasceu do trabalho dos escravos, que faziam a preparação do local para a novena em louvor ao Senhor Crucificado.
A lavagem foi proibida pela Arquidiocese de Salvador, em 1889, mas voltou a ser realizada nos anos 1950, com a participação de adeptos do candomblé. Hoje, reúne fiéis de todas as crenças e credos.

