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Protestos na Turquia são reforçados com início de greve

Os protestos na Turquia continuam, com a confirmação de dois mortos desde domingo. Os sindicatos deram início a uma greve de solidariedade e o vice-primeiro ministro reconhece que o uso excessivo da força policial inflamou ainda mais a situação
 
As manifestações estenderam-se a dezenas de cidades turcas, incluindo a capital Ancara, onde a polícia voltou a usar gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes na noite de segunda-feira (03). Um jovem de 22 anos, membro da juventude do Partido do Povo Republicano (CHP), morreu atingido por tiros numa manifestação no Sul do país. Pouco antes, a Associação de Médicos Turcos anunciava o atropelamento mortal de outro manifestante no domingo à noite em Istambul. Segundo o balanço desta associação na segunda-feira, os confrontos já provocaram cerca de 3.200 feridos, 26 dos quais em estado crítico. Antes disso, a imprensa dera conta de dois mortos nos confrontos, citando como fonte a Amnistia Internacional. 
 
Esta terça-feira, o vice-primeiro ministro Bulent Arinç fez uma comunicação ao país apelando ao fim dos protestos, mas num tom menos belicoso que o do líder do governo turco, Taryiip Erdogan, que continuará fora do país nos próximos dias, em visita a países do Magrebe. Arinç reconheceu o uso excessivo da força e pediu desculpas “aos cidadãos que sofreram a violência por causa da sua sensibilidade ambiental”, referindo-se às razões que estiveram na origem do protesto contra o fim do parque Gezi, junto à praça Taksim.
 
Mas as preocupações ambientais são hoje uma pequena parte das razões que estão levantando o povo turco contra o governo conservador islâmico de Erdogan. Pela quarta-noite consecutiva registraram-se batalhas campais em muitas cidades. Em Istambul, os maiores registraram-se no bairro de Besiktas, até que por volta da meia-noite os manifestantes e a polícia negociaram uma trégua e os primeiros marcharam até à praça Taksim, protegida por barricadas da entrada da polícia e onde a noite voltou a ser de festa.
 
O município de Antalya, governado pela oposição ao governo de Ancara, recusou abastecer de água os veículos da polícia de choque, alegando precisar dela para o caso de deflagrarem incêndios durante os protestos. A polícia dirigiu-se então para um município vizinho, alinhado com o partido do governo, para abastecer os carros da polícia de choque, mas o governador – nomeado pelo Estado – foi dar ordens a todos os municípios para abastecerem os carros.
 
Esta terça-feira arrancou a greve de dois dias, convocada por algumas das principais centrais sindicais da Turquia, entre elas a Confederação dos Sindicatos Revolucionários (DISK), a Confederação dos Trabalhadores do Setor Público (KESK) e o Sindicato dos Trabalhadores da Educação e da Ciência (Egitim-Sen).  O grupo de solidariedade com Taksim, que fez parte do protesto inicial, repetiu esta terça-feira em conferência de imprensa em Istambul as suas reivindicações imediatas: a manutenção do parque de Gezi e o fim do projeto imobiliário previsto pelo governo; a demissão dos responsáveis policiais pela repressão dos últimos dias; a libertação imediata de todos os manifestantes presos; e o levantamento de todas as proibições de manifestações na Turquia.
 
Com o desenrolar da contestação, os turcos viram-se cada vez mais para as redes sociais como o Twitter para obterem informação sobre o que se passa. Os meios oficiais tentam ignorar a dimensão do protesto, tendo entrado para a história dessa má cobertura uma foto partilhada nas redes sociais com duas televisões lado a lado: uma sintonizada na CNN norte-americana, que transmitia os protestos em direto, e outra na CNN da Turquia, a emitir um documentário sobre pinguins. A estação privada NTV, que também ignorou os primeiros dias de manifestação, acabou obrigada esta segunda feira a fazer essa cobertura, mas contra si própria, quando milhares de pessoas se concentraram em frente às suas instalações em protesto contra o silêncio dos meios.

 

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