O líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), protocolou nesta terça-feira (25) um pedido de informações ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre as intervenções feitas pelo Conselho Editorial da Câmara na coletânea Independências do Brasil. A cobrança ocorreu devido à substituição da expressão “ditadura militar” por termos como “regime militar” ou “governo militar” na publicação.
Segundo informações da Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil), o Conselho Editorial também teria determinado alterações e cortes em trechos que abordam a tortura praticada pelo Estado, os direitos dos povos indígenas e o marco temporal. A obra reúne textos de mais de 50 historiadores e já estava revisada e diagramada quando as mudanças foram propostas.
Na representação, Tarcísio questiona quais normas fundamentaram as alterações, como o Conselho Editorial é composto e quais critérios foram utilizados para a escolha de seus integrantes. O deputado também cobra informações sobre os responsáveis pelas decisões e solicita acesso às atas, deliberações e pareceres que embasaram as intervenções e a interrupção da publicação.
Professor de História, Tarcísio defendeu que nenhuma alteração de linguagem pode apagar os fatos históricos. “A tentativa de trocar ‘ditadura militar’ por expressões mais brandas não muda os fatos. O que está em jogo é a defesa da verdade histórica. Nenhuma democracia se fortalece escondendo seu passado ou ocultando crimes cometidos pelo Estado”, afirmou.

