Da Liderança do PSOL na Câmara
O povo brasileiro precisa ir às ruas para exigir do Governo Federal a revogação imediata das chamadas medidas de “ajuste fiscal” e da retirada de direitos dos trabalhadores impostas no primeiro mês do mandato da presidente Dilma Roussef. A Executiva Nacional e a bancada do PSOL no Congresso Nacional apresentaram nesta terça-feira (10/02), na Câmara dos Deputados, a Carta de Brasília – documento-síntese com o posicionamento do partido e suas indicações de solução frente ao atual agravamento da atual crise política, econômica, energética e hídrica que preocupa toda a sociedade brasileira.
O chamamento do PSOL acontece num momento de descrença e apatia quase que total da população, quando a política está vertebrada e mantida com o dinheiro das grandes corporações. Contrariando tudo o que prometeu na campanha presidencial, Dilma está implementando um verdadeiro “tarifaço” que em nada difere do programa econômico dos tucanos e no qual o grande Capital é sempre blindado, em detrimento do bem-estar social e econômico do povo.
“Já virou lugar-comum dizer que nós estamos vivendo uma profunda crise econômica. Agora a crise é também ambiental e, sobretudo, uma profunda crise política, algo singular que eu queria destacar já que nós estamos no Parlamento. A própria vitória, aqui, do Eduardo Cunha (PMDB), para a presidência da Câmara, simboliza isto. Quando a ‘pequena política’, que opera com os interesses mais imediatos e na reprodução de mandatos, sem projeto de nação; quando esta pequena política avassala e hegemoniza de maneira quase que absoluta, ela estreita e sufoca as possibilidades da grande política”, destacou o líder do PSOL na Câmara, deputado federal Chico Alencar.
O líder também falou da importância da aprovação imediata do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição Federal, que tramita na Câmara dos Deputados, e que é um dos 14 itens da Carta de Brasília. “Entre nossas proposições, temos a da reforma tributária, com a taxação das grandes fortunas, que é determinação constitucional. No Brasil, quando se fala em reforma tributária, pensa-se sempre em taxar os rendimentos do salário, e não do Capital”, afirmou.
Impeachment
A convocação do PSOL para uma grande mobilização não se confunde com os movimentos de direita que pretendem destituir Dilma Roussef da Presidência através de impeachment. O vice-líder do partido na Câmara, deputado federal Jean Wyllys, diferenciou a iniciativa do partido com o movimento iniciado pelo PMDB e PSDB, que fazem uma oposição à direita, mas, no fim das contas, representam apenas mais do mesmo e que estão envolvidos tanto quanto o PT nos casos de corrupção na Petrobras, alvo da Operação Lava Jato da Polícia Federal.
“Apesar das nossas críticas ao governo Dilma, em especial às medidas anti trabalhistas, é fundamental que a nossa atuação não seja confundida com as forças políticas reacionárias que estão pedindo o impeachment da presidenta. Nós fazemos uma oposição à esquerda ao governo Dilma; e ainda que, no segundo turno das eleições, diante de dois projetos de país, algumas figuras do partido – e entre elas, eu – tenham apoiado a presidenta, não quer dizer que nós façamos parte do governo”, explicou o vice-líder.
Jean Wyllys também destacou a maneira com que o PMDB atua no Congresso. “O presidente desta Casa é, em tese, parte da base governista, e se opõe claramente às políticas de direitos humanos. Nós temos, aqui, apoio de petistas nas políticas de direitos humanos; então a gente não vai colocar todos os parlamentares petistas no mesmo pacote, não vai tratar todos os parlamentares petistas como corruptos. A gente não vai aderir a este discurso mentiroso, e vamos defender a punição de quem é corrupto, seja petista, sejam os do PSDB que foram citados na Lava Jato”, finalizou.
Mídia e reformas
A oposição ao ruralismo, no posicionamento contra a PEC 215/2000; o desmonte da estrutura de corrupção existente no país, com investigação exaustiva dos vínculos das empreiteiras com outras obras públicas; e a questão do aparelhamento da imprensa foram outros pontos abordados no encontro. “Queremos a democratização da mídia, o fim do monopólio da comunicação e o término da propriedade cruzada de veículos, como consta na Constituição Federal”, destacou o deputado federal Ivan Valente.
O deputado federal Edmilson Rodrigues denunciou a violação aos direitos dos povos tradicionais e indígenas com a aprovação da PL 7735/2014, que versa sobre a biodiversidade.
A presidente da Fundação Lauro Campos e candidata do PSOL à Presidência em 2014, Luciana Genro, criticou enfaticamente a atuação de Dilma, que traiu a confiança dos eleitores que a mantiveram na presidência, assim como ao governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP), que mentiu sobre a real situação da crise hídrica em São Paulo. “É um estelionato eleitoral que culmina num processo de descrédito do processo democrático. O ideal seria haver novas regras políticas para haver novas eleições, mas isso não se faz da noite para o dia e muito menos a partir de pedidos de impeachment de partidos como o PSDB, que é parte da mesma estrutura. O povo precisa ir às ruas”, declarou.
O senador Randolfe Rodrigues também reforçou a importância de derrubar o pacote de ajustes que só penaliza os trabalhadores e lembrou que o PSOL fará oposição dura à ofensiva conservadora que se apresenta no Congresso. “Estamos aguardando a denúncia dos 41 ou 42 que foram citados na Operação Lava Jato e que têm foro privilegiado, inclusive o próprio presidente da Câmara”, disse.
O deputado federal Cabo Daciolo reforçou o chamado popular. “É preciso ir às ruas para reverter esta situação”, disse.
Para o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo, as medidas que o governo federal está impondo à população são parte de um receituário bem conhecido que se assemelha bastante à cartilha da direita. “Essas medidas acontecem no Brasil depois de terem sido um desastre em outras partes do mundo”, avaliou, acrescentando que é importante recuperar o patrimônio público. “Precisamos desmontar a máfia das empreiteiras, considerar as empresas envolvidas no caso da Petrobras inidôneas e combater a todo custo a ideia de privatizar a Petrobras”, enumerou.
Leia aqui texto com a “Carta de Brasília: Diante da grave crise, a saída é pela esquerda!”.

