Do PSOL Nacional, Leonor Costa
O PSOL do Amapá tem um grande desafio até o dia 26 de outubro, quando ocorrerá o 2º turno das eleições para governador: trabalhar, intensamente, para impedir o retorno do grupo político que representa o retrocesso no estado. A disputa para o Governo do Amapá será entre o ex-governador Waldez Góes, preso em 2010 pela Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, e o atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), que conta com o apoio do PSOL. O candidato da Frente Popular a Favor do Amapá (PSB/ PSOL/ PT/ PCdoB), depois de enfrentar uma forte campanha de ataques e desmoralização promovida pelo grupo adversário, obteve 27,54% dos votos no último dia 5 de outubro, o que garantiu a sua ida para o 2º turno.
O PSOL, que participa da chapa de Camilo com o candidato a vice-governador, Rinaldo Martins, avalia que a tarefa do partido, nos próximos dias, é disputar cada voto do eleitorado amapaense com o objetivo de impedir o retorno, ao Governo, do grupo que, historicamente, é aliado das oligarquias e de José Sarney, que embora seja do Maranhão, era senador pelo Amapá. Wadez Góes, quando governava o Estado, tinha em sua volta como aliados, além de Sarney, os prefeitos dos 16 municípios do estado e 22 deputados estaduais. A estrutura que está a serviço de sua candidatura conta, ainda, com 16 emissoras de rádio e 4 canais de TV.
Maykom Magalhães, secretário-geral do PSOL-AP e membro do Diretório Nacional do partido, explica que os únicos grupos que fazem oposição ao clã do candidato adversário são o PSOL e o PSB. Em relação à aliança feita para derrotar o candidato do retrocesso, o dirigente do PSOL afirma que há mais pontos convergentes do que divergentes e que a gestão de Camilo tem sido uma grande aliada da gestão de Clécio Luís, do PSOL, na Prefeitura de Macapá. Segundo ele, durante a campanha, a Frente incorporou, em seu programa, várias bandeiras históricas do PSOL. “O PSOL tem tido uma participação fundamental na disputa ao Governo do estado. Temos muito mais coisas que nos unem e isso tem ficado claro na campanha. Nessa disputa, o que está em jogo são os avanços obtidos com o mandato de Camilo, em detrimento do retrocesso”.
De acordo com Maykom, a campanha reuniu, no dia 27 de setembro, cerca de 40 mil pessoas em uma caminhada nas ruas do centro de Macapá. “Tivemos um papel central na reta final. Essa caminhada levantou a nossa campanha e foi decisiva para a ida de Camilo e Rinaldo para o 2º turno”, ressaltou. Ele explica, ainda, que o representante do PSOL na chapa tem sido um militante incansável na luta para derrotar o retorno do “sarneyzismo” no Amapá. “Rinaldo tem uma ótima inserção nos movimentos sociais e junto aos servidores públicos”.
O candidato a vice-governador é enfermeiro, foi fundador do Sindicato dos Enfermeiros do estado e atualmente é professor da Universidade Federal do Amapá (UFAP).
Como foi a Operação Mãos Limpas no AP
A operação da Polícia Federal, deflagrada em 10 de setembro de 2010 e que levou à prisão o ex-governador do Amapá e atual candidato Waldez Góes, investigou uma organização criminosa composta por servidores públicos, agentes políticos e empresários que desviavam verbas públicas. As investigações apontaram desvios de verbas estaduais e federais no Governo do Estado, na Prefeitura de Macapá, na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Contas do Estado do Amapá e nas Secretarias de Estado de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e de Justiça e Segurança Pública.
A prisão, determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), também atingiu o governador em exercício à época Pedro Paulo Dias (Waldez estava licenciado, pois era candidato ao Senado), a ex-primeira dama do estado Marília Góes, o então presidente do Tribunal de Contas Estadual, Júlio de Miranda Coelho, o prefeito de Macapá à época Roberto Góes, o empresário Alexandre Albuquerque, dentre outros empresários suspeitos de fraudes em licitações e secretários estaduais. Na operação, foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, carros luxuosos, imóveis e até de um jato executivo Cessna.
Os envolvidos são investigados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos. Embora tenham sido presos à época, atualmente todos estão soltos e o inquérito que apura o caso ainda não foi concluído pelo STJ.