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Às vésperas da mudança

Por *Juliano Medeiros

A campanha eleitoral na Grécia foi curta, porém intensa. Amanhã (25), provavelmente antes da meia-noite (20h, no horário de Brasília) teremos o resultado praticamente final. A polarização entre as duas principais forças desta disputa, a Coalização da Esquerda Radical (Syriza) de Alexis Tsipras pela esquerda, e a Nova Democracia (ND) de Antonis Samaras pela direita, levou as demais forças políticas do país a uma condição muito marginal. Partidos tradicionais como o Partido Comunista Grego (KKE) e o Partido Socialista Pan-Helênico (PASOK) devem ter um desempenho muito modesto. O sistema política grego ajuda a explicar o fenômeno.

A Grécia tem um regime parlamentarista, o que exige acordos entre os partidos para a composição da equipe de governo. Syriza é uma jovem força política que, diferentemente das demais, não compactua com as políticas de ajuste fiscal imposta pela “tróika” (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia). Por isso, dificilmente teria aliados para compor o governo. Sendo assim, Syriza busca conquistar maioria absoluta no parlamento, já que não conta com parceiros para implantar seu programa em favor da soberania grega. Com isso, um poderoso fenômeno de “voto útil”, isto é, uma migração maciça nas intenções de voto para os principais partidos, tem marcado esse processo eleitoral. Isso porque, no caso de um partido não conseguir compor o governo – sozinho ou com aliados, não importa – é necessária a convocação de novas eleições.

Um processo desgastante que a sociedade grega não quer enfrentar. Por isso, eleitores que antes optavam, por exemplo, pelo PASOK ou KKE, estão agora optando pelo Syriza. À direita o fenômeno também tende a se repetir, com votos de extrema-direita – como os que foram destinados na última eleição para o grupo fascista Aurora Dourada – migrando para a direita tradicional.

Para facilitar a composição do governo, e assim evitar recorrentes impasses, o sistema eleitoral grego criou uma fórmula, no mínimo, curiosa: o partido que termina em primeiro lugar ganha um “bônus” de 50 cadeiras a mais no parlamento grego. Com isso, se Syriza alcançar algo em torno de 35% dos votos, poderá obter a maioria sozinho. Como não abre mão de seu programa em favor da entrada no governo, o partido se Tsipras só se tornará governo com maioria absoluta – do contrário, a Grécia terá novas eleições.

Com este cenário, a direita já começa a reconhecer a possibilidade de ter um governo do Syriza e muda sua estratégia. Vários partidos recorrem à necessidade de uma oposição forte que “controle” o Syriza. Uma força de centro-direita chamada To Potami (O Rio, em português), por exemplo, tem dito abertamente que é preciso haver um centro “moderador” que evite que a Grécia seja “destroçada” pelos extremos (Syriza e ND). Até o partido comunista, que lamentavelmente optou por uma tática de ataques prioritários ao Syriza, por sua posição favorável à continuidade da Grécia na Zona do Euro, recorreu à mesma estratégia, afirmando que Syriza será vitorioso de qualquer forma, e que é necessária uma forte oposição à esquerda.

Na noite de ontem (23), as delegações internacionais – incluindo o PSOL – puderam sentir a força da campanha do Syriza. Divididos em grupos, fomos levados a diferentes pontos de Atenas onde estavam ocorrendo pequenos atos locais de campanha. Na região de Filadelfia, distrito governado pelo Syriza, encontramos um auditório lotado, ansioso por ouvir as palavras dos candidatos a deputado presentes ao ato. O clima é de muita esperança, muito otimismo. Hoje (24), estivemos mais uma vez com Alexis Tsipras, durante almoço oferecido às delegações internacionais. O otimismo é proporcional ao cansaço, visível nas falas dos principais líderes do partido. Amanhã se encerra a campanha. Estaremos conectados com o Brasil e todos os militantes e simpatizantes do PSOL para compartilhar este grande momento da história grega, que pode mudar o futuro de toda a Europa.

Emprós!

*Juliano Medeiros é secretário nacional de Comunicação do PSOL e representante do partido nas eleições, em Atenas.

 

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