O 11º Anuário de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz números que mostram que a violência sofrida pelas mulheres no Brasil seguem aumentando. Segundo o estudo, uma análise minuciosa de dados de registros policiais sobre criminalidade, de informações sobre o sistema prisional e de gastos com segurança pública, em 2016 foram 4.657 vítimas de feminicídio, o que significa uma mulher assassinada a cada duas horas. Já as denúncias de estupro cresceram 3,5%, num total de 49.497 ocorrências no ano passado, uma média de 135 casos por dia no Brasil.
De acordo com o Anuário, apenas 533 ocorrências de assassinatos de mulheres foram registrados como feminicídio, apontando a dificuldade de garantir que a lei, sancionada em 2015, seja efetivamente cumprida. A partir da Lei 13.104/2015 , o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher passou a ser hediondo.
Em números absolutos, o estado com mais ocorrência de feminicídio é o Rio Grande do Sul, com 96 assassinatos de mulheres registrados como feminicídio. Em seguida, vem Pernambuco, com 75, e São Paulo, com 54. Em termos proporcionais, o estado com maior índice em 2016 é o Piauí.
Jovens negros continuam alvos da Polícia
O Fórum de Segurança Pública analisou 5.896 registros de boletins de ocorrência de mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2015 e 2016, o que representa 78% do universo das mortes no período. E o estudo novamente confirma que os homens negros são as maiores vítimas da violência policial.
Ao todo, foram confirmadas 4224 mortes dessa natureza, significando um aumento de 25,8% em relação a 2015. Entre 2009 e 2016, mais de 21.897 pessoas perderam suas vidas em ações policiais.
Desse total, 99,3% são homens, 81,80% na faixa de idade de 12 a 29 anos e 76,2% são negros (pretos e pardos). Em números absolutos, o estado com o maior número de mortes foi o Rio de Janeiro (925), seguido de São Paulo (856).

