fbpx

CHICO ALENCAR: Postulantes sem propostas

Eles são 15 ou 18. Colocam seus nomes para presidir a Câmara dos Deputados. Desejam um poder que não é pequeno. Pequenas, porém, são as propostas desses que se propõem. Na verdade, uma só: mais do mesmo.

Parece que não enxergam a profunda crise da representação, que deixa a credibilidade do Parlamento no fundo do poço. Fingem não ver que os tentáculos políticos da corrupção abraçam também o Congresso Nacional. “Esta é a melhor Legislatura que poderíamos ter comprado”, disse um grande empresário, em novembro de 2014, ao avaliar o resultado das urnas.

A campanha de “tiro curto” para a escolha do sucessor do famigerado Eduardo Cunha vai mostrar muito do que a Câmara é e quer ser. Os eleitores-deputados deveriam vetar qualquer nome que tenha vínculos com o deputado-réu – e muitos tiveram, cortejando o “chefe” nos seus tempos áureos e se omitindo quando da revelação pública de seus desmandos. Aliás, deviam repelir qualquer nome sob investigação na Lava-Jato ou outro inquérito criminal.

Nos estertores da ditadura civil-militar, Ulysses Guimarães disse que “mais difícil do que matar um monstro é remover seus escombros”. O clientelismo, os negócios obscuros, as tratativas por trás das cortinas, as chantagens, a precarização de direitos, as restrições à presença popular e o fundamentalismo da pauta reacionária marcaram esse ano e meio de Cunha à frente da Câmara. Qualquer sucessor que não tenha posição clara contra esses escombros ‘cunhistas’, contra essa pequena política – que o tal ‘novo Centrão’, a ‘direitona’ que se diz maioria, assume – significará continuísmo. Ou seja, mais crise, mais retrocesso, mais desprezo popular pela política institucional.

Nesse mandato-tampão de seis meses, um novo presidente da Câmara precisa dar à instituição o essencial: transparência, austeridade de gastos, garantia de debates democráticos, pauta sintonizada com os interesses da sociedade. E, por óbvio, independência em relação ao Executivo.

De imediato, precisa estar comprometido com a imediata apreciação, pelo plenário, da decisão do Conselho de Ética de cassação do mandato de Cunha. Tem que recolocar na ordem do dia os projetos contra a corrupção, cuja urgência foi retirada por Temer, versam sobre enriquecimento ilícito de servidor, indisponibilidade de bens de proveniência ilegal e punições ao Caixa Dois. Tem que afirmar que lutará contra o ataque a direitos dos pobres e pela discussão franca de reformas política e tributária reais. Tudo o que o condomínio do poder, com essa confederação de oligarcas e denunciados, não deseja.

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,600SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas