No dia 10 de novembro de 2019, a direita boliviana pôs em marcha uma tentativa de golpe de estado militar. O projeto da extrema-direita boliviana, com apoio de Trump e Bolsonaro, carrega o que há de mais atrasado na América Latina, impregnado de ódio de classe, misoginia e racismo. Os setores golpistas desencadearam brutal violência contra os povos originários, líderes de movimentos sociais e sindicais, e em particular contra mulheres lideranças e ativistas.
No que diz respeito às violências registradas contra mulheres, fica evidente o propósito de silenciar e eliminar companheiras que ocupam espaços na política boliviana e que simbolizam os avanços da luta feminista e indígena na construção de um projeto de país.
Este golpe está orientado por um projeto que pretende reconverter a Bolívia em um Estado fundamentalista e neoliberal, tendo como alvo, também, a eliminação da presença dos pivos autóctones e das mulheres no poder.
Nos últimos dias, violências terríveis foram registradas e circuladas pelas redes e mídia, como o sequestro e espancamento de Patricia Arce, prefeita de Vinto, que teve seus cabelos cortados à força, teve seu corpo pintado com tinta vermelha e submetida a um cortejo de quilômetros, sem sapatos e sofrendo múltiplas agressões. Somam-se a esse caso espantoso as denúncias de sequestros, incêndios de casas de dirigentes do MAS e familiares e governadores da situação; como também casos de estupro cometidos por militares e pela polícia de Estado. Mulheres têm sido agredidas física e sexualmente, de maneira impune.
Os povos originários vêm resistindo e conseguindo barrar as privatizações dos bens comuns da natureza no país, como se viu na luta contra a privatização da água e do gás, que foi protagonizada pelas mulheres durante os últimos anos. Somente através de um golpe militarizado, com caráter fundamentalista e autoritário, seria possível barrar a força do povo e das mulheres do Estado Plurinacional da Bolívia.
O apoio de Trump, Bolsonaro e OEA ao projeto da ultradireita boliviana evidencia o caráter articulado desta ofensiva contra o governo de Evo Morales.
A Setorial de Mulheres do PSOL expressa seu mais profundo repúdio às violências que têm humilhado e violentado as mulheres lutadoras e todo o povo boliviano. É preciso que estejamos, cada vez mais, atentas e fortes para a luta que nos é exigida em tempos de ascensão da extrema direita na América Latina e no mundo. Resistiremos!
Abaixo o golpe reacionário e misógino na Bolívia!
Todo apoio à resistência do povo boliviano!
Setorial Nacional de Mulheres do PSOL

