Em pronunciamento na tarde de sexta-feira, dia 24/04, o então Presidente da República Jair Bolsonaro selou sua decadência com afirmações desesperadas e defensivas diante da renúncia e das denúncias do ex-juiz da Operação Lava-Jato e, agora, ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro.
Ademais de todo o conteúdo revoltante de sua fala, o presidente chocou pelo escracho e desrespeito de suas referências à execução de Marielle Franco; além da paródia grosseira de que se valeu ao perguntar pelo mandante de seu atentado durante a campanha presidencial de 2018.
O oportunismo, despreparo e desespero de Bolsonaro fica evidente ao longo do seu discurso. Ressalte-se que sua incapacidade de responder às denúncias de Moro o levou a resgatar o episódio da facada que, por sua vez, já possui solução no próprio inquérito estabelecido e encerrado pela Polícia Federal. Para o presidente, tal episódio passado é um evento de maior importância que a execução sumária de Marielle Franco, então vereadora da cidade do Rio de Janeiro: mulher, preta, LGBT e favelada, que marcava seu mandato enquanto força de oposição às milícias e conservadores que aparelham o legislativo carioca.
O desprezo pela vida e a postura minimizadora da execução de Marielle, além do esforço desesperado do presidente em justificar as inúmeras evidências que apontam para vínculos de sua família com a milícia que matou Marielle não é acidente. Bolsonaro escolheu como ferramenta de ataque a sua oposição a difamação sistemática e violenta do corpo e legado de Marielle Franco. Sua escolha não é ocasional, é parte do programa nazifascista e genocida que vem reafirmando nos últimos 15 meses no Brasil.
É intolerável que num Estado que ainda se preze democrático, mesmo que burguês e sob o controle do grande capital, o presidente da República, em pronunciamento oficial e com o amparo de todos os ministros de seu governo, diminua a relevância e perversidade de um dos maiores crimes de motivação política da história recente do país.
Diante do grave cenário de mortes em meio à pandemia da COVID-19, do colapso econômico, do desemprego em larga escala de crescimento e da explosão dos índices de violência doméstica contra as mulheres, é justamente nesse momento em que as mulheres, mães solos , em sua maioria negra, que a sensação de abandono se amplia, diante de uma mal avassalador que não escolhe suas vítimas, porém as desigualdades entre gênero, raça e classe, revela mais uma vez quem está morrendo. A insistência do Presidente em ir de contra a OMS, e estimular a quebra do isolamento social, colocando a classe trabalhadora toda em risco, onde os lucros valem mais que a vida, um genocídio sendo promovido e o colapso da saúde pública parece não ser a pauta do dia, de um presidente que trata uma pandemia como uma “gripezinha”. Além de ferir a constitucionalidade fazendo discurso contra a democracia, quando em um aglomeração que deveria ser evitada, irracionalmente clamam pela volta do AI-5.
Bolsonaro mais uma vez escolheu defender a si próprio e seus filhos, provando que governa para poucos. O Brasil merece um presidente que tenha por prioridade a garantia da sobrevivência e dignidade de seu povo frente a grande recessão que encaramos. Por isso, é urgente, mais do que nunca, derrubar Bolsonaro. O impeachment do presidente é uma necessidade para a sobrevivência do povo brasileiro. Precisamos unificar os pedidos já existentes – como o protocolado pelo PSOL, além de outros dos demais partidos de oposição – com as novas iniciativas que pedem o impedimento de Bolsonaro e, junto a isso, exigir que Rodrigo Maia receba-os e inicie um processo de impeachment. A partir de então, nossa tarefa será construir uma alternativa popular e soberana para o país, que tenha como norte uma sociedade justa, igualitária e radicalmente diferente da que vivemos hoje.
Brasil, 25 de abril de 2020
Setorial Nacional de Mulheres do PSOL


