O parlamento grego aprovou o novo plano da troika, que acrescenta mais austeridade à austeridade e leva a níveis insuportáveis de sacrifício um povo que já vive uma situação social insuportável. A votação foi: 199 deputados a favor do plano e 74 contra. Votaram contra os deputados da esquerda anti-troika (Syriza, Partido da Esquerda Democrática e Partido Comunista), 21 deputados da Nova Democracia e 22 do Pasok. Votaram também contra os deputados do LAOS, partido de extrema-direita que saiu do governo na sexta-feira, exceto dois ex-ministros do partido que votaram sim.
Recorde-se que o partido maioritário deste Parlamento eleito antes da atual crise, em 2009, é o Pasok, que teve 43,8% dos votos; as sondagens atuais, porém, dão-lhe 8% dos votos.
Mais de 40 deputados expulsos
De madrugada, já depois da votação, Antonis Samaras, da Nova Democracia, anunciou a expulsão de 21 deputados, o que representa ¼ da sua bancada. O ex-primeiro-ministro Papandreou expulsou 22 deputados, e o LAOS expulsou os dois ex-ministros que votaram a favor. Nunca na história do parlamento grego tantos deputados tinham sido expulsos numa só noite.
Na manifestação diante do Parlamento estavam personalidades importantes, como o compositor Mikis Theodorakis, 86 anos, e o herói da resistência na II Guerra Mundial Manolis Glezos, de 90 anos. Ambos conclamram o povo a acudir à praça Syntagma para exigir aos parlamentares que não assinassem “a sentença de morte do nosso país.”
Enquanto os deputados debatiam o novo memorando com a troika, as principais ruas de Atenas transformavam-se num cenário de batalha campal. Um cinema, cafés, agências bancárias ficaram em chamas como resultado dos confrontos com a polícia, que a certa altura teve de mandar vir mais bombas de gás lacrimogéneo porque esgotou o que tinha trazido.

