De acordo com levantamento do jornal O Estado de São Paulo, mais da metade dos deputados federais se posicionam contra a reforma da Previdência – incluindo grande parte da base aliada de Temer, os quais totalizam cerca de 60% dos contrários à proposta. Estima-se que o posicionamento deles se deve principalmente à pressão popular e ao receio da impopularidade entre os eleitores, às vésperas das eleições de 2018.
Até o fechamento desta matéria, 256 dos 513 deputados procurados haviam assumido a contrariedade ao projeto, mesmo com ressalvas, contra 94 que se declararam a favor. O restante dos parlamentares da Câmara não foi encontrado, não quis responder ou se declarou indeciso. A bancada do PSOL é completamente contra.
Dos 94 a favor, 83 possuem ressalvas a pelo menos um dos pontos mais polêmicos: a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de mulheres e homens, a regra de transição e a exigência de 49 anos de contribuição para ter direito ao benefício integral. A equipe econômica de Temer, no entanto, não está aberta para essas alterações, o que deve abaixar ainda mais o número de deputados favoráveis.
O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Artur Maia (PPS-BA), afirmou nesta quinta (6), após conversa com Michel Temer, que fará modificações em cinco pontos da proposta (diferentes dos mencionados acima): regras para trabalhadores rurais, benefícios de prestação continuada, pensões, aposentadoria de professores e policiais e regras de transição para o novo regime previdenciário. Outros recuos já haviam sido anunciados, como o de restringir a reforma “apenas” aos servidores federais e trabalhadores do setor privado.
Segundo o deputado do PSOL Edmilson Rodrigues, a mudança nesses pontos é importante, mas ainda é cedo para comemorar, uma vez que o ideal é que a reforma não seja aprovada de nenhuma maneira. “Não há flexibilização possível sem prejudicar o povo. E se não há déficit, não há motivos pra Reforma”, declarou em seu Twitter.
Ivan Valente também se manifestou sobre o tema, retificando a importância das mobilizações populares nesse momento. “O povo tem que continuar indo às ruas para garantir a derrota definitiva desta proposta devastadora, que visa praticamente eliminar a Previdência Social”, escreveu nas redes sociais, chamando para a greve geral do dia 28 de abril.
A reforma da Previdência tramita no Congresso desde dezembro de 2016 e, por se tratar de uma PEC, precisa passar por dois turnos na Câmara, com no mínimo 308 votos favoráveis, antes de partir para o Senado.
Veja como está o placar até o momento:


