A associação do cabelo crespo como cabelo duro, cabelo ruim, cabelo bombril, a ideia da negra e negro como feio e sujo, a relação com o macaco, ou até mesmo a hipersexualização do corpo feminino negro, são traços e estratégias históricas do racismo que procuram classificar as negras e negros como inferiores dentro da sociedade brasileira.
Não à toa que a autoafirmação estética como assumir o cabelo crespo, a trança, o dread look, a ideia do Black Power é uma das principais ferramentas de construção de identidade da população negra.
O rompimento com os padrões estéticos europeus pré-estabelecidos, que definem o que é belo e feio, que atuam de forma extremamente violenta desde a infância, principalmente sob as meninas negras que enfrentam a ditadura da chapinha, não é nada fácil.
Neste sentido, qualquer símbolo midiático que reforce um estereótipo depreciativo contra a população negra é racismo. Por isso é inaceitável que a Rede Globo em seu reality show Big Brother Brasil utilize o símbolo do Black Power, tão importante para afirmação negra, associado a uma esponja de lavar louça.
A ideia do cabelo bombril, do cabelo de palha de aço, está intimamente ligada à ideia de cabelo ruim, de cabelo feio. O povo negro não lutou e continua lutando por seu espaço na sociedade brasileira para permanecer aceitando esse tipo de provocação.
Os grandes meios de comunicação continuam atuando na chave da democracia racial e vestem a camisa da liberdade de expressão e se acham imunes aos efeitos jurídicos da prática do racismo. Esse quadro precisa ser alterado rapidamente. O direito à comunicação não pode estar acima de nenhum outro direito, sobretudo aos direitos humanos. O racismo na grande mídia precisa de um freio e só com pressão social podemos alterar esse quadro.

