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Militares proíbem Ivan Valente e Comissão da Verdade de fazerem vistoria no quartel do antigo DOI-Codi, no Rio

O comandante do 1.º BPE, tenente-coronel Luciano, recebeu a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que em 1977 esteve preso no DOI
 
Em visita na manhã desta quarta-feira (21) no 1º Batalhão de Polícia do Exército, o presidente do PSOL Nacional, deputado Ivan Valente (SP), e membros da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro foram impedidos pela direção do órgão de fazerem uma vistoria no quartel. O local foi sede, durante a ditadura militar, do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Eles chegaram a entrar na unidade, onde foram recebidos pelo comandante da instituição, o tenente-coronel Luciano, que não autorizou que a comissão visitasse as instalações da unidade.
 
“Ele reafirmou estar cumprindo ordens do Comando Militar do Leste para não autorizar a visita”, afirmou o presidente da Comissão Estadual, Wadih Damous.
 
O DOI-Codi foi um órgão de inteligência e repressão subordinado ao Exército brasileiro, durante o regime militar. O Ministério Público Federal (MPF) pediu a autorização para visitar o quartel, porém, na terça-feira, o requerimento já havia sido negado pelo Exército. Hoje, membros da Comissão Estadual da Verdade e parlamentares foram à Rua Barão de Mesquita em uma tentativa de reverter a situação e negociar a entrada. Membros da comissão afirmaram que recorrerão à Justiça se for negado o pedido para visitar a unidade.
 
Durante a reunião, além de Valente, que em 1977 esteve preso no DOI-Codi, dois ex-presos políticos que também passaram pelo centro de tortura, Álvaro Caldas e Cecília Coimbra, descreveram para o comandante do 1.º BPE, tenente-coronel Luciano, as torturas que sofreram no local. “Eu lamento profundamente”, afirmou o oficial, segundo relato de Cecília Coimbra.
 
Após o encontro, o comandante Militar do Leste, general Francisco Carlos Modesto, convidou a comissão para uma reunião às 16 horas no Palácio Duque de Caxias. O objetivo da comissão é transformar o lugar em um centro de memória.
 
“Vamos recorrer ao ministro da Defesa Celso Amorim, para saber por que não é possível abrir (para a entrada) um centro de tortura histórico”, questionou Valente.
 
Do lado de fora do quartel, ficaram ativistas dos direitos humanos e ex-presos do Doi, como Paulo Sérgio Paranhos, detido por três meses na década de 70 do século passado. “Fui barbaramente torturado. Não tenho nenhum dente por causa dos choques elétricos aplicados nas sessões de torturas”, disse Paranhos.

 
 
 

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