Na segunda-feira, pós 2º turno, o dia começou cedo para mim, Humberto Costa e André Regis. Eram 06:40 da manhã e eu já estava em um ônibus com meu fone de Ouvido escutando a JC News. Em sequência eles foram entrevistados para emitir a opinião dos vitoriosos e dos derrotados nas eleições presidências, os dois foram acometidos do mesmo problema, miopia seletiva.
Miopia é o distúrbio visual que faz com que pessoas enxerguem os objetos próximos com nitidez e os distantes desfocados e de forma embaçada. Enxergaram o resultado com nitidez, Dilma eleita e Aécio derrotada, mas distorceram o objeto mais distante, o motivo da vitória e da derrota, para adaptar aos seus argumentos já prontos e apenas requentados naquela manhã.
André Regis usou naquele momento, e depois foi seguido por Terezinha Nunes e repetiu nos últimos dois dias, o argumento que Aécio perdeu em Pernambuco por causa do programa Bolsa Família. Repercutiu a análise preconceituosa de que o voto em Dilma veio dos menos informados e dependentes dos programas sociais do Governo, distorceu a realidade e não tocou no que é fato, a negação a Aécio e ao projeto político que ele representa, somada a necessidade de mudanças progressistas pedidas pelo conjunto da sociedade, essa foi a senha da derrota tucana. Desafiou até a lógica ao justificar que essa era a motivação dos 70% dos votos em Pernambuco para Dilma, com esse raciocínio ao o que ele vai creditar a vitória de Paulo Câmara no 1º turno?
Mas naquela manhã já quente, finalmente o verão pretende chegar a Recife, a opção por distorcer as razões do resultado eleitoral não foi exclusividade dos derrotados. Humberto Costa entre em cena e tenta adaptar a realidade para poder usar sua opinião, creditou a vitória em Pernambuco ao sentimento de continuidade dos avanços e do petismo que tem sido forte e atuante em Pernambuco, da aprovação aos maciços investimentos federais, creditados apenas ao PT, feitos em Pernambucano nos últimos anos.
Sinto que Humberto foi às atividades da campanha, no 2º turno, e não dialogou com quem de forma crescente se mobilizou pela vitória de Dilma. O sentimento de negação a Aécio foi central e não uma contrapartida ao que tem sido o Governo Federal e sim em esperança ao o que ele poderá vir a ser. A explicação de Humberto se afasta da realidade do 1º turno e da derrota do PT para Paulo Câmara. Talvez por trauma esquece a gigantesca derrota, dele e do PT, na eleição do Recife em 2012, onde depois de 12 anos de gestão petista, sua candidatura ficou em terceiro lugar com menos de 18% dos votos.
A justificativa para a vitória de Dilma, em Pernambuco, está na mobilização de um setor que não aceita mais o PT como referência política, que rechaça as figuras públicas do partido devido as suas conscientes ações nos último anos. Essa mobilização que era impossível no 1º turno foi quem derrotou Aécio em Pernambuco. Foi esse setor que transformou a campanha de Dilma, no 2º turno, em um movimento que sem esperar ou ter intenção de dialogar com a direção petista, se auto mobilizou, utilizou as redes, articulou atividades e disputou a sociedade.
Esse era o sentimento das pessoas no Marco Zero na noite de domingo (27). E com esse sentimento de necessidade de mudanças progressistas terá que dialogar o segundo mandato da presidenta Dilma, para não ser derrotada tanto pela direita como pela esquerda antes que o segundo mandato comece direito. Esse foi o recado de Pernambuco.

