A nova direção da Setorial Nacional de Mulheres do PSOL eleita em Encontro Nacional, em setembro deste ano, tomou posse neste fim de semana e realizou sua primeira reunião de debate e encaminhamentos políticos e organizativos.
Entre os principais eixos políticos de intervenção está a luta para derrotar o governo Bolsonaro que expressa um projeto conservador, privatizante, autoritário e de retirada de direitos. Na avaliação da setorial, o bolsonarismo também legitima um discurso de violência, um tema contra o qual as mulheres do PSOL também definiram realizar uma campanha permanente, e em todas as suas dimensões: feminicídio, encarceramento, genocídio, violência doméstica, violência sexual, racismo institucional, violência obstétrica, intolerância religiosa, ataque aos modos de vida tradicional e retirada de direitos.
Outra campanha permanente será o da exigência de respostas para o caso do assassinato da companheira Marielle Franco, que explicitamente conta com envolvimento de milícias e forte suspeitas de agentes do meio político.
Essas campanhas serão desenvolvidas em calendários importantes já no primeiro trimestre de 2020, como Carnaval, 8 de março e o 14 de março, quando completam dois anos da execução de Marielle.
Integração e solidariedade às lutas
A análise da situação política do Brasil foi feita no contexto da América Latina, de ofensivas neoliberais e conservadoras como nos casos recentes do Chile e da Bolívia, mas também de muita luta e resistência dos povos e das mulheres. Nesse sentido, a Setorial irá buscar estabelecer relações com movimentos de mulheres nestes países.
Em relação às articulações com movimentos no Brasil, foi apontada a necessidade de buscar maior integração das lutas feministas na perspectiva de fortalecer o movimento diante dos contundentes retrocessos propostos pelo governo Bolsonaro. Algumas iniciativas aprovadas foram o acompanhamento da Frente Feminista Antirracista e a participação no grupo articulador do Encontro Nacional Feminista, cuja próxima reunião deve ocorrer em fevereiro.
A Setorial de Mulheres do PSOL aprovou ainda uma moção de apoio à greve das educadoras e educadores do Rio Grande do Sul, e assinou uma nota pública junto com outras entidades repudiando as arbitrariedades e ações discriminatórias no caso da prisão da advogada Maitê Ferreira Nobre, no Rio Grande do Norte.
Representação de norte a sul
A nova direção da Setorial tem representação de praticamente todas as regiões do país. São 25 integrantes entre uma organização executiva e mais um conselho. Uma das propostas de funcionamento apresentada é a de que as reuniões sejam itinerantes, contemplando todas as regiões, e que sejam sempre precedidas de atividades de formação amplas e abertas para as mulheres militantes daquele local.
Até o fim deste ano será realizada uma nova reunião para aprofundar as propostas de organização e funcionamento para melhor preparar as intervenções em 2020.

