A situação é grave e exige serenidade. Infelizmente, a negociação em relação ao necessário ajuste salarial dos Policiais Militares do Ceará derivou para um grande conflito e o mais temido aconteceu.
Depois do retrocesso no acordo entre o governo e as representações de PMs e bombeiros, com a radicalização da tropa e o início de uma paralisação para tentar impor melhores condições nas negociações, o conflito degenerou em enfrentamento físico, culminando na agressão por bala ao senador Cid Gomes. A falta de serenidade faz vítimas e acirra ainda mais os ânimos. Para sair deste impasse, precisamos intensificar a mediação e o diálogo. Não é momento de estimular o confronto.
Desde o início do nosso mandato, e agora à frente da Comissão de Direitos Humanos, defendemos todos os trabalhadores e temos dialogado com as categorias de servidores públicos civis e militares. Com os trabalhadores da Segurança Pública não tem sido diferente e por isso construímos uma agenda de cinco pontos fundamentais: aprimoramento das carreiras, formação profissional, saúde mental, condições de trabalho e integridade. Fortalecer a carreira perpassa necessariamente pela recomposição dos salários. Por isso acompanhamos os diálogos de negociação, apoiamos as reivindicações dos trabalhadores e nos posicionamos contrariamente à criminalização das associações profissionais. Contudo, não coadunamos com nenhum exercício ilegal da força nem com restrições à população, disseminação de pânico ou demonstrações de autoritarismo.
Como saída para o atual impasse, propomos a formação de uma comissão plural e de diversas instituições a fim de retomar o diálogo com a categoria dos PMs. Estamos lutando por isso porque entendemos que a medição de força neste momento poderá ser muito pior para a sociedade. Atentos, seguimos dispostos a participar dessa composição. Ao tempo em que esperamos o restabelecimento de Cid Gomes, solicitamos que todos os envolvidos, tanto governo quanto servidores e lideranças políticas, façam aquilo que se espera: tenham a capacidade de garantir a democracia e de não permitir a escalada da violência.
Renato Roseno, deputado estadual pelo PSOL Ceará

