Para proteger os seus interesses económicos na Nigéria, a Shell tem financiado milícias armadas e promovido os confrontos armados neste país. Uma organização não governamental acusa mesmo alguns dos seus seguranças de serem responsáveis por execuções extrajudiciais e tortura.
A Shell tem financiado grupos de milícias armadas e promovido os conflitos armados na Nigéria. De acordo com a investigação agora divulgada pela Plaltform, uma organização não governamental que se dedica à fiscalização da actividade da indústria petrolífera, a Shell está implicada numa longa história de abusos dos direitos humanos no delta do Níger nos últimos 10 anos.
Um dos casos relatados resultou na morte de 60 pessoas e na destruição de uma cidade inteira. No relatório pode ler-se que, em 2010, a Shell transferiu 159 mil dólares para um grupo associado à violência das milícias, sendo habitual escolher os grupos mais poderosos em confronto para proteger as suas infoestruturas.
“Embora a principal responsabilidade pelas violações dos direitos humanos recaia sobre o governo nigeriano e os outros agentes nos conflitos, a Shell tem desempenhado um papel activo na promoção dos conflitos e da violência”, disse a Plaltform.
Noutra passagem do documento, os seguranças privados da petrolífera são acusados de serem responsáveis, em 2009 e 2010, ??por execuções extrajudiciais e tortura em Ogoniland.
A Shell já desmentiu as acusações, alegando que respeita os direitos humanos independentemente do local onde exerce as suas actividades, mas reconhece que as suas acções causam tensões nas comunidades nigerianas e admitiu ir estudar as recomendações da Plaltform.
Outro relatório, divulgado pela ONU no início deste ano, também responsabiliza a Shell pelos elevadíssimos níveis de poluição do delta do Níger. Embora concentre as maiores reservas petrolíferas da África ocidental, a maioria dos seus habitantes vive com menos de 2 dólares por dia.

