fbpx

ENTREVISTA COM CARLOS GIANNAZI: “Continuaremos sendo uma referência, um contraponto na Assembleia Legislativa de São Paulo”.


O deputado Estadual Carlos Giannazi foi reeleito em São Paulo com mais de 100 mil votos e a partir de 2011 será o único representante do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado. Na série de entrevistas do site do PSOL Nacional com os candidatos da legenda vitoriosos nas eleições 2010, Giannazi avalia o primeiro e o segundo turno da campanha, fala sobre a educação pública estadual e coloca seus próximos desafios “Um mandato independente e crítico pode causar um grande impacto na Assembleia na hora de fazer votações e denúncias”, afirma ele.

Como você avalia a campanha desse ano em relação às outras pelas quais já passou?

Essa campanha foi a mais difícil de todas porque nós tínhamos sempre o fantasma do quociente eleitoral. Foi como uma espada pairando em nossas cabeças. Nos últimos quatro anos os mandatos do PSOL que tentaram a reeleição trabalharam muito e cresceram bastante, tanto o meu, quanto o do Raul Marcelo, o do Ivan Valente, e os outros mandatos dos outros Estados como o do Chico Alencar, do Marcelo Freixo e da Luciana Genro. Era natural que houvesse um aumento da votação nos mandatos. E isso de fato ocorreu. O Plínio ajudou bastante, mas ele não tinha a mesma inserção nacional que tinha a Heloisa Helena, tanto é que diminuiu o número de votos na legenda e aumentaram os votos nas candidaturas. O meu mandato dobrou a votação em relação à última eleição, tivemos mais de 100 mil votos. O Raul Marcelo também, mas ele foi vítima do quociente eleitoral, assim como a Luciana Genro, que teve uma fantástica votação, porém não entrou. Além do quociente, tivemos outras dificuldades, que já não são novidade para nós, como falta de material, de infra-estrutura econômica, humana, pouquíssimo tempo na televisão, entre outras. Foi uma eleição difícil também do ponto da conjuntura. Não houve muito espaço para o PSOL já que a Marina apareceu para um setor da sociedade como terceira via. Isso ofuscou muito a possibilidade do PSOL avançar mais e crescer.

E com relação ao segundo turno, qual foi a sua avaliação?
Eu acho que a decisão da Executiva Nacional foi correta ao não estabelecer nenhum voto a Serra e liberando as outras opções. O que aconteceu foi que uma parte votou criticamente na Dilma e outra parte anulou o voto. Se o PSOL tivesse “proibido” o voto em Dilma, seria desastroso, já que boa parte optou por votar nela como forma de impedir a vitória do Serra. No segundo turno, as candidaturas envolvidas baixaram muito o nível da discussão. Voltamos à Idade Média, ao fundamentalismo religioso, a um conservadorismo. Foi um retrocesso que os dois candidatos alimentaram. Não se discutiu de fato a educação, macro-economia, a questão da infra-estrutura no Brasil, da inclusão social. Ou seja, temas importantes e prioritários foram marginalizados.

Qual foi o papel da militância nessa campanha do PSOL?
Foi a militância que carregou a nossa candidatura. Não temos um poder econômico, não temos pessoas pagas e liberadas. Mas as pessoas que acreditam na nossa luta, pessoas que não são militantes do PSOL ou de qualquer outro movimento, elas se empenharam muito. Nossa militância é pequena diante dessa votação que tivemos. Só a militância acho que não conseguiria esse resultado. Nossa votação extrapola o PSOL. Lógico que a militância é importante, essencial, mas o engajamento da população também foi muito importante.

Na sua avaliação, qual impacto sua reeleição traz para a política brasileira e de São Paulo?
Em são Paulo eu acho que tem um impacto para o PSOL porque o partido continua com um assento na Assembleia Legislativa, agora será o único, já que o Raul Marcelo não conseguiu se reeleger. Continuaremos sendo uma referência, um contraponto na casa. Para muitos movimentos sociais também é importante que o mandato continue, principalmente na área da educação. Hoje esse é o único mandato que representa de verdade a educação. Os outros que atuavam nessa área, que eram oriundos da rede estadual de ensino, não foram reeleitos. Então teremos uma atribuição muito maior, muito mais responsabilidade e muito mais trabalho, pois vamos representar o magistério estadual de São Paulo inteiro. Um mandato independente e crítico pode causar um grande impacto aqui na Assembleia na hora de fazer votações e denúncias.

Quais são as prioridades do seu próximo mandato, além da educação, e quais são os principais entraves hoje para que se possa avançar nas condições do ensino público no Estado de São Paulo?
Em primeiro lugar acho que vem a questão da valorização do magistério e isso tem que ser feito por meio de salários dignos, formação continuada e de condições adequadas de trabalho. Nenhum projeto de universalização e democratização do ensino de qualidade pode excluir esses pontos. Depois, tem que haver um aumento do investimento em educação. São Paulo investe pouco. Em terceiro lugar estão questões mais pontuais como a superlotação de salas, que é um drama atual, a violência nas escolas e a aprovação automática. Além da educação, nosso mandato atua em diversos movimentos sociais, entre eles na defesa dos servidores públicos do Estado de São Paulo que não têm a data base salarial respeitada, que recebem os salários mais baixos do Brasil, temos trabalhos com a comunidade LGBTT, contra a Ordem dos Músicos do Brasil, temos trabalhos em defesa das carteiras previdenciárias dos advogados e dos cartorários extra-judiciais, trabalho com os servidores do Judiciários,  entre outros.

O PSOL alcançou ótimos resultados em alguns Estados, como no Rio e no Pará, por outro lado não conseguiu eleger nomes conhecidos e respeitados como Luciana Genro, Heloisa Helena e Raul Marcelo. Como você vê o futuro do PSOL e sua consolidação na política brasileira? Como você avalia esses os resultados citados?
Acho que internamente o PSOL está muito dividido e isso atrapalha muito o partido. Tem alguns setores que precisam se atualizar e dialogar mais com a população, sair da luta interna. O PSOL tem que ser um partido para fora, das lutas sociais, dos movimentos sociais.

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,700SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas