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Nações Unidas denunciam “tortura sistemática” no Afeganistão

Num relatório divulgado esta segunda-feira, a missão afegã da ONU e o Alto-Comissário para os Direitos Humanos entrevistaram mais de 300 suspeitos ligados aos insurgentes. Os relatos de tortura por parte da polícia afegã são comuns e há suspeitas de cumplicidade dos norte-americanos que a treinam e financiam.

Depois de confirmar a prática generalizada de tortura nos interrogatórios, ONU quer que as tropas internacionais deixem de entregar prisioneiros à polícia afegã. Foto Truthout.org/Flickr

Cerca de metade dos 324 entrevistados que eram suspeitos de intervenção no conflito armado estiveram em prisões mantidas pelos serviços secretos afegãos e relatam situações de tortura. 89 deles foram entregues aos afegãos pelos militares de outros países que intervêm no Afeganistão. “O uso de métodos de interrogatório que envolvam suspensão, espancamentos, choques eléctricos, posições de stress e ameaças de ataque sexual são inaceitáveis sob qualquer critério da lei internacional de direitos humanos”, diz o relatório da ONU.

“Numa série de casos, os entrevistadores encontraram feridas, marcas e cicatrizes que parecem consistentes com tortura e maus tratos”, acrescenta o relatório, que também lamenta não ter sido autorizado pelos serviços secretos afegãos a fotografar ou filmar as entrevistas efectuadas entre Outubro de 2010 e Setembro de 2011.

“A observação encontrou provas convincentes de que 125 detidos (46% dos 273 detidos entrevistados que passaram pelas prisões da Direcção Nacional de Segurança) foram sujeitos a técnicas de interrogatório que configuram tortura, e que a tortura é praticada sistematicamente em diversas instalações da DNS por todo o Afeganistão”, conclui a missão da ONU, que confirma também o uso de tortura para interrogar detidos com menos de 18 anos de idade.

O relatório inclui ainda algumas recomendações quer à DNS e à polícia, quer ao Governo e ao Supremo Tribunal, sempre no sentido de os pressionar a investigar e parar com a tortura e maus tratos aos detidos. Mas também se dirige às tropas internacionais, apelando a que parem de transferir prisioneiros para as mãos da polícia e da secreta afegã.

*Fonte: Esquerda.Net

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