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Angela Davis em Salvador: nossas vidas importam

*Por Carolina Lazameth, do Setorial Nacional de Mulheres do PSOL

Que a emoção que tomou conta desse 25 de julho esteja enraizada nas nossas lutas para que não nos falte força e esperança para seguir em frente.

Angela Davis é uma das principais referências no enfrentamento antirracista e do pensamento crítico feminista na atualidade e carrega um histórico de resistência que inspira inúmeras gerações de mulheres por todo o mundo. Sua vinda para o Brasil, especificamente à Bahia, no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lotou o Salão Nobre da Reitoria em uma mesa composta apenas por mulheres negras.

Foto: Nunah Alle / Setorial Nacional de Mulheres do PSOL

Essa foi a primeira aula: mostrar que sim é possível fazer um evento que debata a conjuntura nacional e internacional protagonizado exclusivamente por mulheres pretas. Muitos não entendiam a razão pela qual o evento não fora realizado em um ginásio, por exemplo. Passamos horas na fila para conseguir entrar no espaço e só ao ver a tamanha quantidade de negras e negros no salão compreendi a real dimensão política de ocupar aquele lugar, que mesmo pequeno (400 lugares) se tornou tão grandioso.

Davis não dá ponto sem nó. Ver abarrotado um espaço tão privilegiado quanto a academia, que foi historicamente negado ao povo negro e onde (infelizmente) a meritocracia é tão latente, foi sem dúvida uma das experiências mais incríveis de vida. Enxergar a cor e conhecer as histórias de quem tá ocupando esses espaços com muita luta me faz acreditar em dias melhores.

A abordagem sobre política de cotas nas universidades brasileiras, elogiada pela ativista, que disse que os Estados Unidos, embora tentem há décadas implantar algo parecido, jamais conseguiram, se tornava ainda mais verdadeira quando olhávamos ao redor e a universidade estava pintada de povo, como deveria ser sempre.

“Admito que estou muito mais impactada com o sistema educacional brasileiro que com o norte-americano. Me lembro bem quando no Brasil começaram os debates e na Bahia já vejo ações concretas. Vi isso principalmente em Cachoeira, na Universidade do Recôncavo. Isso nos prova que é mesmo possível garantir acesso à educação formal à população que havia sido excluída historicamente”, disse.

Angela Davis defendeu o que chamou de “feminismo descolonizado”, que coloca na centralidade da luta anticapitalista as questões de gênero, classe e raça, e disse que as brasileiras têm um importante papel neste processo: “Me parece que nesse momento contemporâneo as mulheres negras brasileiras representam o futuro do movimento. As mulheres negras brasileiras têm um longo histórico de luta por liberdade”.

A prática coerente com o discurso se fez presente ali mesmo, quando falou sobre a resistência das mulheres quilombolas e recebeu Dona Joca, mulher, negra e quilombola, que luta por um direito tão básico como acesso à água. Ninguém conteve as lágrimas.

A vinda de Angela Davis deve ser o estopim para gente olhar mais com os óculos apurado para a realidade. Que esse dia se propague através da força que ela nos emanou e sirva para que a resistência persista todos os dias contra um sistema tão opressor e desigual no Brasil e no mundo.

“Quando a vida das mulheres negras começarem a realmente ter importância, o mundo será transformado e teremos a certeza de que todas as vidas importarão”. Angela Davis, Bahia, 2017.

Assista ao debate, que foi transmitido pela página do Setorial Nacional de Mulheres do PSOL no Facebook:

https://www.facebook.com/mulheresdopsol/videos/698671433660862/

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