Novo relatório divulgado pela Anistia Internacional revela que grandes empresas mundiais de tecnologia como Apple, Samsung e Sony falham em não identificar o uso de trabalho infantil, na República Democrática do Congo, na extração do cobalto utilizado em seus aparelhos. O documento “This is what we die for: Human rights abuses in the Democratic Republic of the Congo power the global trade in cobalt” (Morremos para isto: violações de direitos humanos na República Democrática do Congo alimentam o comércio mundial de cobalto), publicado esta terça-feira (19), mapeia o comércio global de cobalto, mineral usado nas baterias de lítio, desde a sua extração nas minas onde crianças, muitas com sete anos, e adultos trabalham em condições extremamente perigosas.
“As vitrines vistosas nas lojas e o marketing das tecnologias de ponta são um contraste bastante gritante às imagens de crianças carregando sacos de pedras e de minérios, enfiadas em túneis apertados, permanentemente em risco de sofrerem danos nos pulmões”, questiona Mark Dummett, perito da Anistia Internacional em empresas e direitos humanos. “Milhões de pessoas no mundo inteiro gozam dos benefícios das novas tecnologias, mas raramente se questionam como é que são feitas. É mais do que chegado o momento das grandes marcas assumirem responsabilidades sobre a mineração das matérias-primas que fazem parte dos seus lucrativos produtos”, prossegue.
Este novo relatório documenta a forma como os negociantes de minérios compram cobalto de áreas onde o trabalho infantil é frequente e o vendem à empresa congolesa Congo Dongfang Mining (CDM), subsidiária da gigante mineira chinesa Zhejiang Huayou Cobalt Ltd (Huayou Cobalt).
A investigação da Anistia Internacional contém documentos de pesquisadores no setor que demonstram como a Huayou Cobalt e a subsidiária CDM processam o cobalto antes de o venderem a três fabricantes de componentes de baterias na China e na Coreia do Sul. E estes, por sua vez, fornecem fabricantes de baterias que dizem vender os seus produtos a grandes empresas de tecnologia e do setor automobilístico, como a Apple, a Microsoft, a Samsung, a Sony, a Daimler e a Volkswagen.
A República Democrática do Congo responde por 50% ou mais do cobalto produzido no planeta. Mineradores trabalhando por longo período neste segmento da extração mineral enfrentam problemas de saúde e risco de acidentes fatais, afirma a Anistia. A organização diz que ao menos 80 mineiros morreram no subsolo congolês entre setembro de 2014 e dezembro de 2015.
Leia mais sobre o relatório no site da Anistia Internacional: Trabalho infantil e exploração na República Democrática do Congo alimentam a produção mundial de baterias

