Um laudo técnico encomendado pelo jornal Folha de São Paulo demonstrou que, no dia em que o Conselho de Ética da Câmara votou pela segunda vez a admissibilidade do processo contra Eduardo Cunha (PMDB/RJ), movido pelo PSOL e pela Rede, uma falsificação de assinatura foi utilizada por aliados do presidente da Câmara dos Deputados para tentar barrar o processo. Sem sucesso, já que a ação foi aprovada por 11 votos a 10.
O caso é o seguinte: o deputado Vinícius Gurgel (PR/AP), aliado de Cunha, não estava em Brasília no dia da votação, entre a noite de 1º e 2 de março, e encaminhou uma carta de renúncia para que seu suplente, um deputado declaradamente a favor da cassação do presidente da Casa, não assumisse. A manobra abriu vaga para outro deputado do mesmo PR, que votou contra a admissibilidade do processo.
Os peritos contatados pelo jornal garantem que a assinatura do deputado é uma falsificação “grosseira” e “primária”, segundo a Folha.
À mesma Folha, como justificativa, o deputado afirmou que “bebe” e “poderia estar de ressaca no dia” – o que justificaria a assinatura com letra diferente, já que, segundo o deputado, “quando a pessoa está de ressaca, não escreve do mesmo jeito, fica tremendo”.

