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Câmara aprova texto do PNE, mas não garante 10% do PIB para educação pública

Da Liderança do PSOL, Mariane Andrade
 
Foi aprovado na noite desta quarta-feira (28), o texto principal do Projeto de Lei 8035/2010, que estabelece as metas do Plano Nacional de Educação – os destaques serão votados na próxima semana. Um dos pontos mais importantes da proposta, e que gerou intensos debates, é a meta 20, que fixa gasto mínimo com educação em 10% do Produto Interno Bruto (PIB). O problema é que se for concluída a votação conforme o texto vindo do Senado a educação pública não terá garantidos os 10% do PIB.
 
Quando foi votado na Comissão Especial, em 2012, o PL previa que os 10% fossem investidos somente na educação pública – em duas etapas: um mínimo de 7% do PIB no quinto ano de vigência da futura lei; e 10% do PIB ao fim do período de dez anos. Ao ser analisado no Senado, foi incorporado artigo que propõe que esses recursos devem ser aplicados em programas como o Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), o Universidade para Todos (ProUni), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o Ciência sem Fronteiras e na educação infantil, por meio de creches conveniadas – ou seja, vínculo com o privado. Devido à alteração feita pelos senadores, o projeto retornou à Câmara, e, agora, alguns partidos querem manter o artigo.
 
Para a bancada do PSOL, o texto não representa na prática o investimento de 10% em educação pública já que os recursos serão transferidos para instituições privadas por meio desses programas. O partido defendeu a votação do texto aprovado pela Comissão Especial, no ano passado, e na próxima semana quando serão votados os destaques, vai votar pela retirada do Parágrafo 5º do Art. 5º. Para os parlamentares a verba para esses programas deve ter outra origem, como, por exemplo, os 42% do Orçamento que são usados para pagar juros e amortizações da dívida.
 
“O PSOL apresentou 300 destaques ao PNE, e o principal era este também: 10% da verba pública para o ensino público”, afirmou o líder do partido, deputado Ivan Valente. “A meta sobre a educação de nível médio é para atingir 85%. Quando nós fizemos o diagnóstico da educação nacional, em 1998 (votação do primeiro PNE), o Chile, a Argentina e o Uruguai já tinham de 80% a 85%. Nós vamos levar 10 anos para atingir os 85% no ensino médio. Sabem por quê? Porque não há recurso público efetivamente. Nós gastávamos 3,4% do PIB e, no fim do PNE, 5,2% do PIB. O aumento vai continuar sendo vegetativo”.
 
De acordo com o deputado Chico Alencar, há pontos de retrocesso no texto que não são motivos de tanta euforia. “É duvidoso que se fale de 10% do PIB para a educação pública, o que é absolutamente insuficiente para as demandas educacionais deste país. Mas o problema central é que 10% para a educação inclui bolsa de estudo para a escola privada, inclui uma série de transferências do sagrado dinheiro da educação pública para instituições ditas filantrópicas, cooperativas, mas que, na verdade, são instituições privadas”, alertou.

 
 

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