Matéria atualizada nesta sexta-feira (15), às 9h
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) rejeitou, no final da manhã desta quinta-feira (14), por 48 votos a 12, o recurso apresentado pela defesa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), solicitando que fosse anulada a votação do Conselho de Ética da casa, que aprovou a cassação de Cunha por 11 votos a 9. O relator do recurso na CCJ, deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), acatou parcialmente o recurso, sendo favorável à anulação da reunião do conselho. Fonseca é fiel aliado do deputado réu e pastor e foi indicado para tentar impedir a aprovação do processo, protocolado em outubro do ano passado pelo PSOL e pela Rede.
Após a rejeição do recurso, a CCJ aprovou, por 40 a 11, um novo relatório a ser encaminhado ao plenário da Câmara. O documento pede a cassação de Cunha. Com a rejeição do parecer de Ronaldo Fonseca, poucas horas antes, a comissão precisou votar um novo relatório que pudesse ser encaminhado ao plenário, desta vez, aprovando todos os procedimentos adotados no Conselho de Ética.
Com a derrota na CCJ, Cunha agora será julgado pelo plenário da Câmara. Na última manifestação no colegiado, o deputado afirmou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Cunha mentiu
Durante a reunião, o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP) criticou a defesa feita por Eduardo Cunha na sessão. “Primeiro, quero dizer que a defesa feita pelo deputado Eduardo Cunha aqui é patética. Cunha mentiu e praticou outras dezenas de crimes. Está provado que ele é correntista suíço e não declarou e mentiu na CPI da Petrobras. Ele inventou toda uma história sobre a conta, mas nos seus vinte minutos ele não citou o nome trust. Por que essa palavra já foi desmoralizada”.
O deputado disse, ainda, que a sociedade não aguenta mais esperar pela cassação do ex-presidente da Câmara e que sua passagem pela presidência da casa deve ser considerada página virada na história do parlamento. “O povo brasileiro não aguenta mais. A gestão de Cunha foi tão desastrosa que até a eleição de um aliado seu para a presidência da Câmara terminou com #ForaCunha. Ele foi funcional para o impeachment e o utilizou para se proteger. Mas a sua tropa de choque já jogou a toalha. Todas as manobras protelatórias e intimidações não foram capazes de convencer a sociedade, nem o Parlamento. A gestão Cunha foi uma página sinistra do Parlamento brasileiro que precisa ser virada. E Eduardo Cunha precisa ser cassado, no voto aberto e responder por seus crimes. Cadeia para Cunha”.
O deputado Chico Alencar (RJ), representante do PSOL na CCJ, destaca que apenas três partidos encaminharam voto favorável ao recurso: PMDB, PTN e PEN. E quatro liberaram o voto: PP, PR, PTB e PSC. Alencar disse esperar que o plenário da Câmara aprove a cassação de Cunha, o que dependerá de como o novo presidente da casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai conduzir o processo. “Agora, tudo dependerá de Rodrigo Maia, que foi grande aliado de Cunha, pautar a cassação no plenário. Tem que ser, no máximo, na primeira semana de agosto”.

