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Chico Alencar | Os mesmos tristes velhos fatos

Artigo publicado originalmente no Blog do Noblat

Há quase meio século, Tom Jobim, nosso nonagenário maestro soberano, compôs com o então jovem Chico Buarque o comovente ‘Retrato em branco e preto’. Fala da temática mais recorrente na história humana: o desconsolo amoroso e nossa teimosa busca pelo afeto correspondido.

2017 entra em seu segundo mês e lá vamos nós, como tolos, procurar saídas para o que cansamos de conhecer. Na vida social, que também nos constitui, problema não resolvido é problema agravado: o que está ruim e não muda, piora. Tempos temerários, perspectivas temerosas.

À primeira vista, o cenário nacional – para não falar do internacional, com as recorrentes ‘trumpadas’ do ‘anarcocapitalista’ machista e xenófobo – é desolador. Até o Maracanã, símbolo de concreto e aço da pujança da engenharia brasileira e da força popular do nosso futebol, está abandonado. Absurdo dos absurdos!

A Odebrecht (sempre ela, como Eike!) ganhou a concessão de exploração do ‘maior do mundo’ sabe-se como. Agora, mesmo especializada em ‘verdinhas’, deixa seu gramado ser tomado pelas pragas ou secar, e seus equipamentos serem roubados.

O público, que pagou sua construção para a inauguração na Copa de 1950 e também arcou com suas diversas reformas superfaturadas, está sendo roubado até de suas tardes de clássicos no domingo.

A semana terá a eleição das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara. Há uma aguda crise da representação, que este blog do Noblat registrou em simples consulta aos seus mais de 900 mil seguidores: apenas 2% dos que responderam disseram respeitar o Congresso Nacional!

Mas os modos e meios de conquistar votos dos colegas seguem os mesmos de sempre: oferta de cargos na estrutura da Casa e de relatorias de projetos importantes. Além, claro, da defesa corporativa de eventuais acusados de graves desmandos.

Diante do derretimento da política institucional, que se agravará com as revelações da Lava-Jato e de Eike Batista, os partidos fazem ‘cara de paisagem’.

No Brasil, partido não toma partido. É, quase sempre, ajuntamento de interesses difusos para abocanhar nacos do hoje combalido Orçamento Público, em parceria com agentes privados.

Enquanto isso, cadeias e violência urbana explodem, governos estaduais e prefeituras estão em falência e as reformas penitenciária, tributária e política não entram na ordem do dia.

Ao menos a presidente do STF, Cármen Lúcia, já homologou as delações dos 77 executivos da Odebrecht. Que elas não fiquem sigilosas, pois são de interesse público. Espera-se agora que seja indicado um relator que prosseguirá o trabalho independente e correto de Teori. Sem abusos ou conivências, perseguições ou protelações.

E lá vamos nós, súditos da Esperança, colecionar mais um soneto. Que não seja para maltratar o coração de quem aspira uma pátria amada menos injusta, corrupta e desigual.

 

 

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