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Declaração de Minatitlán. VIII Fórum Mesoamericano dos Povos

*Varias organizaciones

Tradução: Adital

Reunidos nos dias 8, 9 e 10 de abril de 2011 em Minatitlán, Veracruz, México, no coração da terra Olmeca, os representantes de organizações, comunidades, redes e movimentos de toda Mesoamérica emitimos a presente Declaração.

Nós, povos de Mesoamérica, vivemos hoje uma das etapas mais difíceis de nossa longa história; os grandes megaprojetos, como o Plano Puebla-Panamá (hoje Projeto Mesoamérica) e os Tratados de Livre Comércio somente têm trazido mais miséria e violência para nossas gentes. Em nossos territórios se vive uma nova invasão. Milhões de lares mesoamericanos estão hoje desgarrados pela pobreza e pela migração e as mulheres somos as que mais sofremos com a discriminação e a violência.

Os direitos de nossos povos são pisoteados pelas oligarquias ao serviço das grandes corporações transnacionais. A crescente militarização demonstra que a democracia em nossos países é somente uma farsa. A perseguição contra homens e mulheres que defendem seus direitos é uma amostra de que àqueles que nos governam são súditos do grande capital e de seus projetos de morte.

Como resultado da terrível desigualdade que existe em nossos países, diariamente, milhares de mesoamericanos deixamos nossas casas para viajar para o Norte em busca de emprego. Os migrantes são objeto de gravíssimas violações a seus direitos; diariamente, dezenas morrem em acidentes; porém também em ataques e agressões do crime organizado e da polícia. Essa tragédia é, em boa parte, responsabilidade dos governos e, em particular, do governo mexicano, que faz o trabalho sujo aos interesses norte-americanos.

Nos últimos anos, nossos territórios têm sido cenário de grandes problemas; milhares morreram ou perderam suas casas, animais e cultivos. A chamada mudança climática, produzida pelo ritmo enlouquecido do modelo capitalista neoliberal afeta principalmente aos mais pobres. A Mãe Terra vem sofrendo grandes danos e são as mesmas empresas e governos responsáveis por esse desastre quem promovem falsas soluções, como o REDD, que significa o despojo e a privatização de selvas e bosques muitas delas de propriedade imemorial dos povos indígenas.

Em nossos países, são muitas as famílias que têm sido desalojadas de suas casas pela construção de represas hidrelétricas, estradas e outros projetos como os de pecuária extensiva. Também são muitos os habitantes que têm sido desalojados de suas casas por projetos de urbanização irracional.

Os investimentos estrangeiros apoiados pelos governantes de nossos países estão orientados para o saqueio de nossos recursos naturais. Hoje mesmo 14% do território mesoamericano foi concedido a empresas mineradoras estrangeiras, principalmente canadenses, que exploram brutalmente a força de trabalho de nossa gente; destroem rios; contaminam terras e dividem comunidades. Os governos de Norte-América, Ásia e Europa impulsionam iniciativas de morte disfarçadas de cooperação e, através do chamado Livre Comércio, somente buscam favorecer os interesses das grandes empresas transnacionais.

Os povos de Mesoamérica somos herdeiros de antigas culturas; contamos com costumes e conhecimentos milenares e com uma longa tradição de resistência e luta. Com base nessa história, esse Fórum condena o Modelo Neoliberal impulsionado pelos governos e empresas transnacionais; modelo que somente nos empobrece e que tem causado danos profundos à nossa Mãe Terra.

Por isso, nesse VIII Fórum Mesoamericano dos Povos, assinamos os seguintes acordos:

– Lutar pela Soberania Alimentar, pela defesa de nossas sementes nativas e dos conhecimentos tradicionais.

– Impulsionar a defesa dos Direitos Humanos e contra a Militarização, a criminalização do protesto. Exigimos que cesse o feminicídio e a discriminação contra as mulheres e a comunidade lésbico-gay.

– Defender nossas terras e recursos naturais, enfrentando os projetos hidrelétricos, mineiros, turísticos, de pecuária extensiva, plantações florestais e de infraestrutura. Lutaremos contra o deslocamento da população por parte desses megaprojetos e de projetos de desenvolvimento urbanos.

– Mobilizar-nos contra a perseguição sofrida pelas/os jovens pelo fato de serem jovens. Também intensificaremos nossa ação contra as agressões sofridas diariamente pelos migrantes.

– Rechaçar o papel do Banco Mundial no financiamento das falsas soluções à crise climática. Que o desastre seja pago por àqueles que o provocaram.

– Fortalecer a solidariedade entre nossos povos em sua luta por transformar radicalmente essa realidade injusta e caminhar juntos pela construção de sociedades equitativas, justas e livres.

Ante o grande desafio que temos por diante, faz-se necessário que impulsionemos uma nova etapa de mobilização conjunta para a qual colocaremos nossos esforços para construir juntas/os um instrumento de coordenação e comunicação que nos permita mobilizar-nos para derrocar o sistema capitalista, neoliberal e patriarcal.

Hoje, nasce em Minatitlán um novo movimento, o movimento dos povos mesoamericanos. No dia em que recordamos a morte de Emiliano Zapata, nascemos com dignidade e coragem nesse novo caminhar, que é o caminhar de nossos antepassados e que será o caminhar de nossas/os filhas/os.

Basta já de despojos; basta de miséria e de atropelos. É a hora dos Povos de Mesoamérica Livre.

Minatitlán, Veracruz, México, 10 de abril de 2011.

Organizações, Povos, Redes da Guatemala, do México, da Nicarágua, de El Salvador, do Panamá, de Honduras e da Costa Rica.

Fonte: Adital

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