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Deputados da CPI da Petrobras foram financiados por empresas investigadas

Dos deputados indicados para apurar desvios na Petrobras, pelo menos 10 tiveram suas campanhas eleitorais financiadas por empresas que estão sob suspeita. Segundo matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, do último domingo (22), deputados escolhidos pelos partidos para apurar, na Câmara, o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras receberam, em 2014, R$ 1,9 milhão em doações eleitorais de empresas citadas na Operação Lava Jato.
 
O levantamento do jornal considerou a prestação de contas dos candidatos disponibilizada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Empreiteiras como a Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, UTC, Carioca Engenharia, Galvão Engenharia e empresas do Grupo Queiroz Galvão estão entre as grandes doadoras. Elas são apontadas pelo Ministério Público e já foram citadas pelos delatores como integrantes de um cartel.
 
O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), teve 60% de sua última campanha paga com recursos dessas empresas, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (25), na Folha de São Paulo. Em 2014, Motta recebeu R$ 451 mil da Andrade Gutierrez e da Odebrecht. Ele arrecadou um total de R$ 742 mil para sua campanha.
 
O relator, deputado Luiz Sérgio (PT/RJ), recebeu R$ 962,5 mil das empresas Queiroz Galvão, OAS, Toyo Setal e UTC, o que representa 39,6% da receita de sua campanha.
 
 “O PSOL se orgulha de ser o único partido, dos que elegeram representantes no Congresso Nacional, que não recebeu dinheiro de nenhuma empreiteira. Há muito estamos denunciando que o financiamento privado de campanha é a raiz da corrupção no Brasil. É inadmissível que parlamentares que tenham recebido recursos das empresas investigadas possam continuar como membros da CPI para apurar os desvios denunciados”, explica Ivan Valente.
 
Na sessão de instalação da CPI, nesta quinta-feira (26), Ivan levantou uma questão de ordem para, valendo-se do regimento interno da Câmara, questionar o fato de os partidos nomearem para a comissão parlamentares que foram beneficiados, durante a campanha eleitoral do ano passado, com recursos das empreiteiras. Para o deputado do PSOL, que pediu a substituição dos mesmos, isso colocaria sob suspeita os trabalhos da CPI. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que presidiu a sessão, rejeitou o pedido de Valente.
 
Presente na sessão, o líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ), afirmou que o afastamento desses deputados seria necessário para garantir a isenção da CPI. “É evidente que quem recebeu financiamento dessas empresas tende a ficar tolhido na sua independência como parlamentar”, disse.
 
Ivan Valente disputou a presidência da CPI com Hugo Motta e obteve 4 votos, contra 22 do peemedebista suspeito de ter sido favorecido no esquema.

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