fbpx

Deputados do PSOL abandonam plenário na votação da PEC 215

Parlamentares da bancada indigenista protestaram e se recusaram a votar proposta que destrói direitos de povos originários

A votação do relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que prevê a transferência da prerrogativa de demarcação de terras indígenas e quilombolas do Poder Executivo para o Legislativo, aconteceu na noite desta terça-feira (27/10). O texto foi aprovado com 21 votos favoráveis da bancada ruralista. Antes, toda a bancada indigenista deixou o plenário como forma de protesto.
Os parlamentares contrários à PEC foram recebidos com aplausos pelas lideranças indígenas e quilombolas que estavam nos corredores, impedidos de acessar o plenário e participar da votação. Ainda que a aprovação do relatório tenha representado uma derrota, os deputados e lideranças caminharam entoando torés pela Casa como forma de celebrar a resistência.
“Fomos coerentes com as organizações indígenas e entidades da sociedade civil apoiadoras da causa indígena que decidiram não legitimar a comissão especial da PEC 215, a PEC do retrocesso e do extermínio. Ter participado ao longo de dez meses permitiu travar o bom combate contra a bancada ruralista e seus prepostos, incluindo financiadores de campanha, que investiram vultosos recursos para ver aprovada a PEC 215. Retirar-se após esse período do combate ao atraso e à violência confirma nosso compromisso com os povos indígenas brasileiros que desde o início tiveram a consciência do teor genocida dessa proposta e da necessidade de boicota-la”, declarou o deputado Edmilson Rodrigues (PA), um dos que se retiraram.
Edmilson e o companheiro de partido, o deputado Glauber Braga (RJ), prometem insistir na defesa dos direitos indígenas, contra a PEC. O relatório deve ser encaminhado ao plenário. “A luta está apenas em sua primeira fase. Usaremos de todos os recursos legislativos e judiciários para provar que a bancada ruralista, ainda que muito poderosa, não tem o poder para destruir os direitos originários dos povos indígenas, direitos de quilombolas às suas terras ancestrais e a soberania territorial de nosso país”, afirmou Glauber, indicando a disposição em continuar a briga contra os ruralistas.
Desde a última semana, quando começaram os debates para votação, deputados contrários ao relatório tentaram adiar a votação e buscar um consenso. No entanto, a bancada ruralista não apresentou alguma abertura para isso. O deputado Edmilson foi um dos parlamentares a criticar o relatório. “É preciso deixar claro o que pretendem os favoráveis à PEC. Pretendem que os 228 processos de reconhecimento de terras indígenas, que atualmente são desenvolvidos, sejam sepultados. Pretendem que os 144 processos sub júdice sejam engavetados pela justiça. Que os 1611 processos pendentes relacionados a terras quilombolas seriam jogados no lixo da história”.
Fonte: Mandato deputado Edmilson Rodrigues
 

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,600SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas