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Eleição de Eduardo Cunha reforça caráter conservador da Câmara

Do PSOL Nacional, Leonor Costa

O momento que mais ganhou a atenção dos deputados, de jornalistas e dos eleitores no domingo (01), na abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, foi a disputa do cargo de quem ficará à frente da Câmara nos próximos dois anos. O que era para ser uma disputa acirrada, com perspectiva de que o embate final fosse se resolver em segundo turno, a decisão de quem seria o novo mandatário da Casa foi ainda na primeira rodada de votação e o resultado divulgado por volta das 20h30 de domingo. O deputado do PMDB fluminense, Eduardo Cunha, obteve 267 votos e o segundo lugar ficou com o petista Arlindo Chináglia, que teve 136 votos. Cem deputados votaram em Júlio Delgado, do PSB, e 8 no candidato do PSOL, Chico Alencar, que cumpriu o papel de pautar as demandas de interesses da população, demarcando as diferenças com as demais candidaturas.
 
A avaliação dos deputados do PSOL é que a escolha de Eduardo Cunha, conhecido pelas defesas conservadoras e pelo seu perfil de lobista, impõe grandes desafios para o partido e para os movimentos sociais, que enfrentarão forte resistência na defesa de pautas voltadas aos direitos humanos, aos interesses dos trabalhadores e às referentes à regulação dos meios de comunicação.    
 
O deputado Ivan Valente (SP), que assumiu o seu quinto mandato na Câmara, foi enfático ao demonstrar sua insatisfação e preocupação com os rumos das disputas no Legislativo. Para ele, a eleição do peemedebista representa uma dupla derrota ao parlamento. “Representa uma derrota, em primeiro lugar, porque o parlamento brasileiro mostrou-se mais uma vez incapaz de compreender o sentimento das ruas, que há muito tempo repudiou o modus operandi representado por Cunha, baseado no ‘toma-lá-dá-cá’, no fisiologismo, na troca de favores e do lobby dos interesses privados”, disse.
 
Valente considera, ainda, que a Presidência da Casa nas mãos de Eduardo Cunha, que se mostrou um legítimo representante das “teles” (empresas de telecomunicações) no episódio envolvendo a votação do Marco Civil da Internet, no primeiro semestre de 2014, demonstra que a nova legislatura se mostra ainda mais conservadora, “elegendo no primeiro turno um candidato que defende uma reforma política antidemocrática e a manutenção do financiamento privado de campanha”.
 
Entre as atitudes que ilustram o perfil do terceiro homem mais poderoso na hierarquia da República (o presidente da Câmara pode assumir, interinamente, o Palácio do Planalto na ausência do presidente e do vice-presidente da República) o deputado do PSOL cita a sua investida para restringir os direitos dos povos indígenas, bloquear o debate sobre a democratização da mídia e a defesa de uma política macroeconômica conservadora e das muitas benesses que o governo – e sua oposição à direita – tem concedido aos grandes grupos econômicos.
 
Na avaliação do deputado Jean Wyllys, a eleição de Eduardo Cunha representa um grande retrocesso para a legislatura que se inicia. “O mal – a mais abjeta política – venceu em 1° turno. Inicia hoje a idade das trevas no parlamento”, escreveu o deputado do PSOL, em sua página no Facebook, logo após a divulgação do resultado eleitoral.
 
Valeu a luta
Chico Alencar, que disputou o cargo de presidente da Câmara e agora é líder do PSOL, considerou que o partido cumpriu o seu papel no processo, por ter apresentado grandes questões da política, diante das quais o parlamento não poderá se esconder. “Valeu a luta. É preciso prosseguir na pressão das praças sobre todos os palácios, pois pelo menos oito daqui estaremos sempre sensíveis ao clamor da população”, disse o líder, se referindo aos votos obtidos.
 
Em relação às campanhas dos demais candidatos à Presidência, Alencar denunciou os altos gastos e as negociações feitas visando à conquista de votos. “A campanha se dá na base das negociações internas e do corporativismo. É dominada por jantares, viagens de jatinho e promessas de cargos e de mordomias”, disse, em entrevista aos veículos de comunicação.  
 
Segundo ele, o novo presidente da Câmara “faz do mandato um investimento”. “Ele é um símbolo da pequena política. Representa a política dos negócios, onde o público e o privado perdem fronteiras”, afirma.
 
Ainda antes da escolha da nova mesa diretora, Alencar também sugeriu que, caso o candidato vencedor tenha sido citado nas denúncias da operação Lava Jato, ele renuncie a sua função de presidente da Casa. Ao que tudo indica até agora, Eduardo Cunha, apontado por ter participação no esquema do doleiro Alberto Youssef, não atenderá ao desafio proposto pelo líder do PSOL.
 
 “Sabotador da República”
Ivan Valente também reforçou o caráter da candidatura do PSOL, marcada pela coerência. “Conquistamos oito votos (portanto, três a mais que a bancada do partido, que conta com cinco deputados) sem compra de votos, promessas de emendas ou privilégios. Saudamos o companheiro Chico Alencar e nossa bancada pela coerência”, disse.
 
Sobre os desafios da nova bancada do PSOL, Valente emenda: “Em tempos de ‘House of Cards’, será necessário, mais do que nunca, a vigilância do PSOL contra os arbítrios que tentarão cometer, seja em nome da malfadada ‘governabilidade’, seja em nome dos interesses privados. Seguiremos na luta!”, disse se referindo à comparação que a revista IstoÉ de Eduardo Cunha com o personagem Francis Underwood, da série norte-americana House of Cards, interpretado pelo ator Kevin Spacey. Na matéria de capa, a revista nomeou Cunha de “sabotador da República” e mestre na arte da chantagem.
 
Leia mais sobre Eduardo Cunha e a candidatura do PSOL à Presidência da Câmara:
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