A análise de Freixo é com base na situação de crise em que passa o governo do Rio, frente a uma série de manifestações promovida nas últimas semanas. “Ele é uma pessoa muito arrogante e para tentar recuperar alguma coisa, começou a ceder desesperadamente. Isso não é sinal de reflexão, é sinal de desespero”, considera o deputado, em relação a algumas posturas do governado no último período.
Quanto à truculência da polícia nas manifestações e nas comunidades do Rio, Freixo considera que a PM é a “ponta de lança” de um Estado violento. “Não vai resolver isso só mudando a PM, essa mudança terá que ser mais profunda, pois a polícia cumpre ordem de um Estado violento”.
Confira abaixo a entrevista, concedida à jornalista Vivian Viríssimo.
Brasil de Fato – O que explica essa sequência de recuos políticos do governador?
Quais serão as próximas bandeiras? O que falta avançar?
A pauta das mobilizações está, desde o início, em disputa. Agora, o cancelamento da privatização do Maracanã ganhou força e visibilidade. A pauta da desmilitarização também. Em função da violência policial contra setores que não tinham sido vítimas essa pauta ganha força e, como um todo, vai perdurar. Diferente da pauta da corrupção, que é muito genérica, que trata a corrupção como se fosse uma questão comportamental, moral. A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força. Outra pauta importante que cresceu é a democratização da mídia. É um momento muito rico e positivo.
Por que a sociedade não tolera mais o comportamento truculento da PM? Qual será o impacto da mudança de comandante da PM no Rio?
A PM é a ponta de lança de um Estado violento. Não vai resolver isso só mudando a PM, essa mudança terá que ser mais profunda, pois a polícia cumpre ordem de um Estado violento. É um equívoco achar que o problema é o policial. Para qualquer mudança, teremos que fazer debates, o que não é uma tarefa fácil já que a forte hierarquia não permite que se faça qualquer debate sobre a própria polícia. A queda do comandante Erir Ribeiro era esperada, ele não tinha capacidade de diálogo, nem de autocrítica, algo inadmissível para uma pessoa que tem vida pública. Ele não fez autocrítica do caso do Amarildo, nem da forte repressão policial nas manifestações. Espero que o próximo comandante estabeleça o diálogo.
Que medidas o deputado está tomando com relação ao uso indevido de helicópteros do Estado para fins particulares da família do governador?
Este governador é patético. É inacreditável que ele cometa este crime e depois simplesmente peça desculpas. Quero saber se isso acontece no sistema prisional também. Nós o denunciamos no Ministério Público Federal (MPF) por peculato, no Ministério Público Estadual por improbidade administrativa, e na Assembleia por crime de responsabilidade com vistas ao impeachment. Cada uma dessas organizações tem competências específicas. Esperamos que estas instituições respondam a nossas denúncias. Ao lançar um decreto normatizando o uso de helicópteros, o governador só pode estar de brincadeira. Já existe norma para veículo oficial. Cabral perdeu qualquer moral para governar. Nem para ser síndico.
Por que é tão importante suspender a privatização do Maracanã?
Essa concessão é uma das coisas mais absurdas. Essa privatização significa a elitização da cidade e o embranquecimento do espetáculo num espaço dos mais democráticos, onde populações pobres e ricas conviviam. Esse projeto de privatização é uma ação violenta do Estado sobre algo muito importante: o futebol é a principal fonte de alegria do Rio de Janeiro e isso não é pouca coisa. Todo o processo foi ilegal, sem audiência pública, a oposição pediu plebiscito e não foi atendida. E agora, diante dessas manifestações, o Cabral começa a recuar também na privatização do Maracanã. E basta ele querer.

