A Executiva Nacional do PSOL se reuniu nesta segunda-feira (16), em Brasília, e convocou a militância do partido a cerrar fileiras na luta contra o racismo e, principalmente, o extermínio da juventude negra.
A nota aprovada pela direção do partido mostra os índices absurdos de ataques a essa população, que tem quase 3 vezes mais chances de ser assassinada no Brasil. A resolução ainda acrescenta que a luta contra o extermínio também é contra a guerra as drogas e a criminalização dos territórios das periferias. Leia na íntegra:
NOTA DA EXECUTIVA NACIONAL DO PSOL SOBRE O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA
1. Levantamento da Unicef, amplamente divulgado nos meios de comunicação nos últimos dias, demonstra de forma cabal que estamos diante de um extermínio sem precedentes da juventude negra e pobre de nosso país. Nos municípios com mais de 100 mil habitantes, a taxa de assassinatos de jovens chegou a 3,65 por mil adolescentes. Na região Nordeste, o índice é de 6,5 por mil adolescentes. Segundo a pesquisa, em 2014, jovens negros tinham um risco de ser assassinados 2,88 vezes superior ao dos brancos e 6,11 vezes mais chances de morrer por arma de fogo que por outros meios. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, como já apontado pela CPI do Senado que investigou este extermínio.
2. Estes dados infelizmente reforçam os números do Mapa da Violência (2016) e do Atlas da Violência (2017) que mostra, ano após ano, um consistente crescimento da mortandade de jovens negros vítimas da política de guerra às drogas e de um modelo de estado penal. Enquanto os homicídios na população branca decresceram mais de 26% entre 2003 e 2014, o número de vítimas negras aumentou em 46,9%: a cada 100 mil habitantes, foram 10,6 mortes de pessoas brancas em 2014 contra 27,4 de pessoas negras. Estes dados apontam que a violência no Brasil é racial, ou seja, voltada para os grupos sociais vulnerabilizados por sua condição de raça. Estamos diante de um cenário em que a privatização de presídios, as tentativas de redução da idade penal, o lobby dos políticos financiados pelos fabricantes de armas e a redução de investimentos em políticas sociais de saúde, educação, cultura e para as juventudes, só tendem a agravar esta verdadeira tragédia e ganharam reforço com as políticas neoliberais de Temer e sua base de apoio no Congresso, estados e municípios.
3. Os governos do PT e de Dilma aprovaram uma Lei Antiterrorismo, se comprometeram com o caráter violento do proibicionismo no tema das drogas e mantiveram o mesmo modelo repressivo às forças de segurança, herdados pela ditadura militar. Esta não priorização das demandas históricas do movimento negro, de mulheres e de direitos humanos, comprometeu um projeto de transformação real desta ordem social profundamente excludente e desigual. Esta situação vem sendo denunciada sistematicamente por coletivos culturais de jovens negros das periferias, artistas, intelectuais e movimento negro sem encontrar o eco e apoio necessários para estancar esta política de verdadeira pena de morte que se instituiu sobre o povo negro no Brasil.
4. A Executiva Nacional do PSOL convoca a sua militância a fortalecer todas as iniciativas em curso de combate a este extermínio, que passa pelas lutas contra a guerra às drogas e a criminalização de territórios periféricos e suas populações e contra o encarceramento em massa. A luta contra o Estado penal, o racismo e o extermínio da juventude negra deve ser um compromisso histórico e cotidiano de toda esquerda brasileira e, portanto, parte fundamental da base para um projeto democrático, popular e socialista para o nosso país.
16 de outubro de 2017
Executiva Nacional do PSOL

