Uma entrevista da equipe econômica do Itaú Unibanco ao portal InfoMoney, voltado para o público empresarial pró-mercado, publicada nesta segunda-feira (10), revela que todo o discurso dos agentes do governo Temer em favor da PEC 241 foram realmente feitos para enganar o público.
Quem percebeu foi Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo, que publicou em sua página no Facebook comentários sobre a entrevista.
A equipe diz claramente na entrevista, por exemplo, que – ao contrário do que vem sendo dito – o governo vai parar de colocar dinheiro em educação e saúde, mas que os recursos para a dívida pública não serão afetados.
Leia os comentários, publicados aqui:
“É inacreditável! Eu acho que não precisamos fazer campanha contra a PEC 241. Nós só precisamos explicitar o cinismo dos defensores da medida. Vou fazer esse exercício com a formidável matéria da Infomoney que chamou o Itaú (isso mesmo, um banco) para “explicar” uma política de governo. As citações das perguntas e respostas do Itaú estão entre aspas e meus comentários entre colchetes. Julguem vocês mesmos:
“9. O teto de gastos retira recursos de saúde e educação?
O teto de gastos não retira recursos destas áreas, e sim estabelece que o gasto mínimo em saúde e educação permanecerá constante em termos reais, a partir de 2018.”
[Tradução: Nós não vamos tirar recursos de saúde e educação, vamos *deixar de colocar*.]
“10. A mudança na regra para o gasto mínimo constitucional reduzirá o gasto efetivo em saúde e educação ?
Não. O Itaú reforça que, sem a perspectiva de reversão do quadro de deterioração fiscal, a economia não encontrará um equilíbrio e o crescimento econômico pode ficar estagnado nos próximos anos; com isso, o gasto mínimo em saúde e educação será menor, mantidas as regras atuais.”
[Tradução: Não vamos reduzir o gasto efetivo porque sob o paraíso liberal, o país vai crescer tanto, mas tanto que mesmo tirando muitos recursos, vamos aumentar os recursos. Parece fabuloso, mas eu garanto.]
“11. Há despesas excluídas do teto de gastos?
Sim. O teto incide apenas sobre as despesas primárias e, portanto, não inclui as despesas com juros da dívida pública. O Itaú explica que isso ocorre, porque a despesa de juros foge ao controle do governo e é apenas uma consequência de decisões de governos passados. Além disso, o teto não incide sobre outras despesas financeiras, como o FIES.”
[Tradução: os compromissos que estabelecemos com os mais pobres e com as gerações futuras na Constituição de 1988 podem ser descartados, mas aqueles que assumimos com os credores, esses não podem ser tocados.]”
Você pode ler a íntegra da entrevista clicando aqui.

