A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a investigação de Flávio Bolsonaro pelo uso, durante a campanha eleitoral deste ano, de um apartamento em São Paulo que foi do cunhado de Vorcaro e pertence a advogado investigado no caso INSS.
A denúncia foi apresentada após reportagem da revista piauí revelar que o imóvel teria sido utilizado pelo candidato do PL à Presidência para reuniões e gravações de campanha.
O apartamento, de 158,87 metros quadrados e com três vagas de garagem, pertence atualmente à empresa do advogado Willer Tomaz, que foi alvo de busca e apreensão da PF na operação Sem Desconto, que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Antes de ser adquirido por Tomaz, o imóvel pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro permaneceu no apartamento durante alguns dias da primeira quinzena de agosto, quando teria se reunido com integrantes da equipe, discutido estratégias eleitorais e gravado vídeos para o horário eleitoral. O imóvel ficava a cinco minutos do comitê de campanha do senador em São Paulo. Procurado, Flávio afirmou que apenas havia se hospedado em hotéis da região.
Erika Hilton aponta ainda que o imóvel foi comprado por Zettel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões e vendido, em fevereiro de 2026, por R$ 3,5 milhões à empresa de Willer Tomaz. A transferência ocorreu em 4 de março, mesma data da prisão de Zettel e da segunda prisão de Vorcaro. Segundo a deputada, os bens de Zettel já estavam bloqueados quando a transferência foi realizada.
A deputada questiona como a operação foi realizada diante do bloqueio dos bens e busca esclarecer a origem e o destino dos R$ 3,5 milhões pagos pelo imóvel, além de saber por que Flávio Bolsonaro estava hospedado no apartamento e quem custeava sua estadia. O pedido à PGR busca esclarecer as circunstâncias da utilização e da transferência do imóvel e apurar eventuais irregularidades.

