fbpx

Fernanda Melchionna fala sobre Marcelo Freixo na Câmara Municipal de Porto Alegre

Nós, do PSOL, temos insistido – aliás, não só nós do PSOL, como a juventude e o povo -, em vários países do mundo, sobre a necessidade de construir uma democracia real, colocando, cada vez mais, a necessidade de ampliação dos espaços democráticos de controle da população sobre a economia política, inclusive, para combater essa falsa democracia que se vive. E que é permeada pelos grandes poderes econômicos, em todas as esferas, e que é uma conjunção de vários fatores que envolvem desde a corrupção de interesse, quanto à impunidade em vários aspectos relacionados ao Estado, relacionados aos direitos do povo, relacionado às legislações.

Por isso venho, hoje, a esta tribuna para lamentar profundamente o que vem acontecendo com o Marcelo Freixo, Deputado Estadual, do Rio de Janeiro, militante e companheiro do PSOL. Ele presidiu a CPI das Milícias, fruto da luta dos movimentos sociais e populares, que mostrou os tentáculos poderosos e mafiosos das gangues, das quadrilhas, que, através de operações ilegais de corrupção, de violência contra as comunidades no Rio de Janeiro, de cobrança em relação ao gás, às vans, a todo o transporte ilegal das periferias do Rio de Janeiro, colocam o estado de opressão a essas populações.

E esse mesmo Deputado, apesar do excelente trabalho na CPI das Milícias, com quase 500 prisões, inclusive, de vereadores, deputados, policiais militares envolvidos com narcotráfico e com as gangues milicianas, esse mesmo Deputado está jurado de morte por setores da polícia envolvidos nas milícias.

E esse mesmo Deputado, que tem sido a expressão da luta contra à impunidade, contra às milícias, foi convidado pela Anistia Internacional a sair do Brasil, porque, infelizmente, depois do assassinato da juíza Patrícia, que também era uma das vozes contra às milícias, vem sofrendo mais e mais ameaças de morte. Já foram sete ameaças de morte ao Deputado Marcelo Freixo, que esteve nesta Casa, e falou desta tribuna. Inclusive, pelas quadrilhas e aqueles policiais militares que foram presos no Rio de Janeiro por comandar o assassinato da juíza Patrícia, e que estão no Presídio Militar pedindo três mil cervejas para fazer festa, enquanto deveriam, não só estarem encarcerados, como serem devidamente punidos, porque usavam farda para violentar a vida das pessoas e da população no Rio de Janeiro.

Mas não é à toa que eu comecei a falar da democracia real, porque só se explica uma situação tão absurda em que aqueles que lutam contra às milícias, em que aqueles que lutam contra à corrupção, sejam as vítimas, sejam os penalizados. Se a gente não explicar a situação do Estado brasileiro. Se a gente não explicar que, lamentavelmente, no nosso País, são penalizados aqueles que ousam se levantar contra as bandalheiras da política e não os detentores de mandato, para defender interesses próprios, e não aqueles que usam os balcões de negócio dos palácios para construir as suas fortunas ou se locupletar ajudando gangues partidárias ou grandes empresários desonestos.

Não se explica que, no nosso País, nós tenhamos o assassinato de um sem-terra, Elton Brum, que lutava por reforma agrária e foi assassinado pelas costas; ou um casal em Altamira que denunciava a bandalheira do meio ambiente e foi assassinado, também, por defender os interesses daqueles que defendem a natureza. Não se explica a criminalização dos movimentos sociais sem explicar a impunidade e os tentáculos que essa impunidade tem no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Não se explica, inclusive, a impunidade da corrupção como nós vemos, inclusive Ministros que caíram: o Palocci caiu com o enriquecimento de R$ 20 milhões, mas segue com o seu apartamento e não foi punido até agora… Se a gente não explicar que essa impunidade, também da corrupção, é que gera o banditismo, é o que gera o narcotráfico, é o que gera o aprofundamento dessas gangues, dessas quadrilhas que violentam a população. E não é, nesse caso, qualquer pessoa. Não se explica que o segundo Deputado Estadual mais votado do Rio de Janeiro – inclusive é o personagem Fraga no filme Tropa de Elite 2, que estará representando o Brasil no Oscar do ano que vem -, justamente aqueles que representam as vozes da luta por um mundo e um Brasil diferente, sejam os vitimizados, sem explicar a falsa democracia que nós vivemos, o grande poder dos ricos, dos bancos, dos latifundiários, do agronegócio e a impunidade para os que roubam de cima, enquanto os de baixo são penalizados com a falta de educação, com a falta de saúde, com o aumento da violência e com o aumento do banditismo.

Então, eu queria dizer da importância da luta do Marcelo Freixo. Mas, assim como falaram os companheiros quando do assassinato do casal que lutava pelo meio ambiente no Pará, nós não ficaremos apenas reclamando e denunciando as ameaças ao Deputado Marcelo Freixo, mas dedicaremos boa parte das nossas vidas, das nossas lutas para construir um Brasil diferente e arrancar uma democracia real, que é parte da luta do PSOL, mas que tem que ser parte da luta do povo brasileiro, para que, de fato, punam-se os corruptos, os ricos e os bandidos, e o povo possa viver num Brasil diferente. Obrigada.

*Fonte: Mandato da vereadora Fernanda Melchionna

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,500SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas