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Fim da greve de fome de Dom Luiz Cappio

Como a imprensa já noticiou fartamente, no dia de ontem Dom Luiz Cappio encerrou sua greve de fome. Após sérias complicações em seu quadro de saúde, que o levaram a ser internado em uma UTI no Hospital Memorial de Petrolina, e já no 24º dia sem se alimentar, o frei atendeu aos apelos de seus amigos e familiares e encerrou o jejum. Ao saber da complicação de seu quadro de saúde, imediatamente uma comissão nacional do PSOL se deslocou para o sertão. Edílson Silva chegou ainda na madrugada do dia 20. Heloisa Helena chegou no início da tarde do mesmo dia.

Participamos de uma pequena vigília junto com familiares ainda na madrugada do dia 20. Com a chegada de Heloisa conseguimos adentrar no apartamento onde Dom Luiz estava repousando. Heloisa Helena somou-se à família no apelo para encerrar o jejum. O frei estava visivelmente muito abatido, mas considerava seriamente, conforme relatos dos familiares, a hipótese de manter a luta através do jejum. Sua decisão, no entanto, só seria divulgada durante missa à noite, na capela de São Francisco, em Sobradinho (BA), diante da comunidade que tanto lhe apoiou nos dias mais difíceis. Num sinal de muita confiança na figura de Heloisa Helena, antes de sairmos do apartamento, Dom Luiz Cappio confessou-nos que sua decisão já estava tomada e que iria encerrar a greve de fome. Pediu-nos apenas para não divulgar, pois queria anunciar junto aos fiéis em Sobradinho.

Dom Luiz Cappio teve que assinar termo se comprometendo pelo ato de retirar-se das dependências do Hospital Memorial de Petrolina. Por volta das 18 horas um forte aparato policial, com ambulâncias, preparava-se para fazer o deslocamento de Dom Luiz de Petrolina para Sobradinho. Uma pequena multidão se aglomerou em frente ao hospital. Uma grande presença da imprensa. Um verdadeiro comboio acompanhou a ambulância que levava o frei.

Ao chegar a Sobradinho, a comunidade da capela de São Francisco estava toda à espera de Dom Luiz Cappio. Uma missa foi realizada, com muitos momentos de emoção, tendo como ponto mais alto a leitura da carta do frei assumindo o fim do jejum. Por vários minutos a população aplaudiu o gesto de Dom Luiz.

A missa também serviu para que as organizações que estiveram mais próximas do frei pudessem fazer um balanço da batalha. Em linhas gerais, um dos pontos mais colocados em relevo foi que o jejum de Dom Luiz desmascarou muita gente que é contra o povo e a favor do capital, numa alusão a Lula e seu governo. Insistiram que também ficou nítida a submissão dos poderes executivo, legislativo, judiciário e também da mídia ao grande capital. Afirmaram que o movimento foi muito vitorioso, pois conseguiu colocar de novo e com força o tema da defesa do Rio São Francisco na pauta política do país, mobilizando muita gente dos mais variados segmentos. Por fim, colocaram que conseguir tudo isso e ainda ter Dom Luiz Cappio vivo e pronto para continuar lutando era uma vitória ainda maior.

Uma avaliação mais precisa desta luta precisa ser feita por nós. A vitória é incontestável, mas o fato de a luta não ter conseguido avançar mais precisa ser observado com lupas. Um fato é simbólico para esta avaliação: a CPT vetou a presença de Heloisa junto à família de Dom Luiz durante a missa.

Ao perceberem que Heloisa estava na missa misturada entre os fiéis, a família de Dom Luiz imediatamente foi até ela para colocá-la junto ao frei. Heloisa Helena, com muita sensibilidade política e paciência revolucionária, sem querer comprar polêmicas, agradeceu o convite e solicitou ficar no meio do povo.

O PSOL, com seus limites e nos limites impostos pelos petistas mal-resolvidos que cercavam Dom Luiz Cappio, cumpriu seu papel enquanto partido revolucionário, socialista e popular. Emprestamos sem reservas a nossa solidariedade ativa à luta do frei e à sua causa.

Edílson Silva – Executiva Nacional do PSOL

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