O Peru viveu no dia de ontem uma memorável jornada de lutas. A paralisação foi declarada ilegal pelo governo, que destinou 100 mil efetivos das forças de segurança para controlar os grevistas. Ainda assim, milhares de manifestantes saíram às ruas das maiores cidades do país e bloquearam estradas. O resultado foi que o próprio governo teve que reconhecer que mais “de 60% da população apoiou a medida e que está descontente com seu governo, devido à alta nos preços dos alimentos”.
A greve foi convocada pela Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP), a maior central operária do país, para protestar justamente contra a alta de preços dos alimentos e exigir do governo a mudança de sua política econômica neoliberal. A paralisação ocorreu ainda contra o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, a alta do custo de vida e as recentes leis propostas pelo governo para promover a venda de terras de comunidades campesinas e de bosques na Amazônia, além da privatização dos portos e de serviços básicos, como a água.
Os grevistas também exigiram aumento de salários, uma melhor distribuição do crescimento econômico, entre 7% e 8% da receita do país para beneficiar aos setores mais pobres, e a restituição de uma série de direitos trabalhistas que têm sido eliminados. O secretário-geral da CGTP qualificou à administração de Alan García como “um governo dos ricos e das transnacionais” e exigiu que ele “abandone a soberba e dialogue com os trabalhadores para atender a suas demandas”.
Em Cuzco, uma das cidades onde a greve se sentiu com maior força, cerca de 20 mil pessoas, entre funcionários públicos, operários, professores, estudantes e campesinos, marcharam ontem pelas principais ruas da cidade gritando palavras contra a política neoliberal do governo e as intenções governamentais de promover o retorno do latifúndio, a partir da venda de terras de campesinos. “Urgente, urgente, novo presidente” era um dos gritos mais escutados durante a marcha dos grevistas, que durou várias horas.
O governo quer privatizar tudo, até as terras das comunidades campesinas, e isso não permitiremos. O protesto é massivo e demonstra o rechaço ao governo.
Fonte: Informação da corrente do PNP A Luta Continua

