45 mil funcionários da empreza Verizon Communications, de Massachusetts até Washington, DC, entraram em greve. Por não ter novas negociações agendadas e ambos os lados culpando ao outro, especialistas acreditam numa demora na solução do problema.
“Nós estávamos negociando de boa fé e na esperança de chegar à uma resolução, mas a partir de meia noite de domingo foi dolorosamente claro que a empresa quer colocar-nos para a rua”, disse PJ Foley, vice-presidente da International Brotherhood of Electrical Workers Union Boston, queontem fizeram piquetes, na chuva, em frente a sede da empresa. “O contrato teria sido a nossa sentença de morte. Não haveria segurança no emprego, sem pensão, sem cuidados de saúde.”
A greve na Verizon, maior operadora de telefonia móvel do país, abrange ainda 6 mil trabalhadores na divisão de telefonia fixa da empresa, que inclui operações de telefonia local e serviços para empresas e governos, mas não do seu departamento wireless. Em causa, estão empregados e aposentados lutando por “cuidados de saúde e benefícios previdenciários.
Phil Santoro, um porta-voz da Verizon, culpou a União (Sindicato) por sair das negociações e pararem o trabalho. Ele disse que a empresa está buscando concessões em cuidados de saúde, pensões, em capacidade de mover os trabalhadores, e pagamento por desempenho. “As negociações pararam porque o sindicato se afastou da mesa”, disse ele. “Estamos prontos para negociar.”
Mas Ed Fitzpatrick, presidente da União, culpou a empresa, dizendo que o contrato que apresentou no fim de semana era o mesmo que ofereceu há dois meses.
Santoro insiste que a gestão está buscando concessões razoáveis para um negócio que sofreu uma mudança tremenda. Ele disse que ao mesmo tempo a empresa de telefonia foi de utilidade pública e teve quase 100 por cento do negócio de telefonia. “Nós não somos mais um monopólio”, disse ele. “O contrato que eles estavam trabalhando foi negociado há três anos e o negócio é muito diferente hoje. Há forte concorrência de todos os nossos serviços, e ainda assim esses contratos da união persiste.”
Foley disse que a empresa multibilionária está indo bem e deve isso aos funcionários que a construíram. A Verizon reportou uma receita de 275 milhões dólares para o segundo trimestre que terminou em 30 de junho, um aumento de 2,8 por cento no mesmo período do ano passado, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio. A Verizon Wireless viu o seu total de assinantes crescer 4,1 por cento para atingir 89,74 milhões.
Santoro disse que os trabalhadores da Verizon ganham uma média de 75.000 dólares de salário e U$ 50.000 em benefícios. Ele observou que os empregados sindicalizados não pagam nada por cuidados à saúde e a empresa quer que eles paguem uma parte. Ele disse que a contribuição mínima seria de U$ 100 por mês, mas ele se recusou a especificar a quantidade máxima.
Fitzgerald insiste que os cuidados de saúde e pensões sejam negociados.”Receberemos bem menos se pagarmos por esses benefícios”, disse ele. “As pessoas dizem que devemos pagar mais pelos cuidados de saúde e assim pagamos. Mas eu acredito que os outros trabalhadores deverão receber o mesmo benefícios que nós, e não nós o deles.”
A Verizon informou que a greve terá impacto mínimo sobre os clientes. Santoro disse que a empresa antecipou á greve e treinou “dezenas de milhares de trabalhadores não sindicalizados” para fazer os trabalhos de reparação, instalação de faturamento do cliente, serviço e trabalho de back office. “Estamos preparados para administrar o negócio”, disse ele.
Elliot Winer, um economista do Grupo de Análise Econômica do Nordeste, disse que uma vez que a nação enfrenta um teto de 9.1% de desemprego e há muitos desempregados que cobiçam os trabalhos da Verizon, poderá haver qualquer reação contra os trabalhadores em greve.
Há muito que os Estados Unidos não conheciam uma greve de tal dimensão num país que tarda em recuperar dos ataques aos sindicatos cometidos desde o início da vaga neoliberal lançada pela Administração Reagan. Cerca de 45 mil trabalhadores da segunda maior empresa do sector telefónico aderiram uma greve decretada sob a consigna de “recuperação do poder de compra da classe média”.
A greve é a resposta à ofensiva da administração da Verizon invocando as consequências da crise econômica no país. A resistência dos trabalhadores pretende combater a imposição pela administração de um pacote laboral na qual avultam medidas como o congelamento dos salários, a indexação de parte dos salários à “performance” individual dos trabalhadores, uma ainda maior facilitação dos despedimentos, seguros de saúde mais caros e menos favoráveis, descontos sociais mais elevados.
A iniciativa da Verizon é encarada como um teste a uma nova ofensiva patronal geral a partir dos Estados Unidos a coberto da crise.
*Com informações do JournalBrazil e be internacional



