“Armar a população só aumenta a violência na sociedade”, afirma o parlamentar
O deputado Ivan Valente apresentou, na última terça-feira (20), voto em separado na Comissão Especial, que prevê a revogação do Estatuto do Desarmamento, promovendo uma série de alterações para facilitar a aquisição, a posse, o porte e a circulação de armas de fogo no país.
Para Valente, segurança é uma questão pública, de estado. “A segurança é um direito do cidadão e dever do estado. Quando eu privatizo a segurança, e falo para o cidadão ‘defenda-se’, eu estou tirando o direito que é dele, que paga impostos e tem que ter assegurado seu direito pelo estado. Não podemos inverter as coisas. Quando passamos pros outros fazerem a própria segurança, nós estamos errando. Nós temos que exigir do estado uma política de segurança pública efetiva”, iniciou sua argumentação contra o projeto que quer liberar o uso de armas a toda população.
“O medo simplifica a questão da segurança, o medo faz as pessoas pensarem de maneira simplista: ‘agora vou andar armado e vou me defender’. Mas as estatísticas afirmam exatamente o contrário, ele será mais uma vítima. Armar a população vai aumentar, exponencialmente, a possibilidade dele ser assassinado e é por isso que vários secretários de segurança e o próprio exército são contra esse projeto. Justamente porque o efeito surpresa é muito superior a capacidade de reação do cidadão. A vontade de reagir em situações de vulnerabilidade não pode ser argumento para armar a população”, ressaltou Ivan Valente.
O relatório do deputado Laudivio Carvalho (PMDB/MG), que reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para compra de armas, estende o porte para deputados e senadores e aumenta o número de armas e munições que podem ser adquiridas por pessoa, será votado na próxima terça-feira (27).
“Esse projeto quer permitir acesso a armas exatamente para a faixa etária, que de acordo com as estatísticas é a faixa que tem o maior número de homicídios de jovens, que é de 21 a 25 anos. Além disso, pessoas denunciadas por crimes ou que já foram presas alcoolizadas armadas, por exemplo, não podem ter permissão para voltar a andar armadas. Isso é um absurdo”, aponta.
Íntegra do voto em separado: http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1397490&filename=Tramitacao-PL+3722/2012
Fonte: Mandato do deputado Ivan Valente

