O deputado federal Ivan Valente (PSOL) enviou uma representação na última segunda-feira (6) ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) contra o jornal O Globo, que veiculou um anúncio que se utiliza do título do filme “Ainda Estou Aqui” – que narra a história de Eunice Paiva, que teve o marido Rubens Paiva assassinado pela ditadura militar – para celebrar os 150 anos do jornal Estadão.
O anúncio mente ao dizer que as instituições jornalísticas “sempre estiveram nas trincheiras pela democracia, aliadas”. É fartamente documentado que ambos os veículos apoiaram e foram beneficiados durante a ditadura militar, período em que estabeleceram relações de proximidade e receberam incentivos do regime que violou direitos humanos, reprimiu a liberdade de expressão e resultou em mortes, como a de Rubens Paiva.
“Estão sendo hipócritas e cínicos para surfar na onda do momento. Todo mundo sabe que o Grupo Globo não só apoiou o golpe, como participou das benesses do golpe e foi um dos maiores beneficiários do regime militar da ditadura”, disse Ivan Valente ao anunciar a ação em entrevista ao ICL Notícias.
Na representação, o deputado pede que o jornal seja notificado para que preste os esclarecimentos, reconhecendo o caráter enganoso e antiético da campanha publicitária e pede uma retratação pública do jornal O Globo, “em respeito à memória das vítimas do regime militar e aos princípios éticos que regem a comunicação publicitária”.
“Nunca houve uma retratação pública de modo a impedir que o cenário lá de trás se repita hoje. Não se pode continuar manipulando a verdade. O Globo e o Estadão apoiaram o regime que matou o Rubens Paiva. São 150 anos de defesa da elite, da exploração econômica, e não da democracia de fato. O Conar é o órgão que deve ficar de olho nisso, porque precisamos lutar pelo compromisso com a verdade”, concluiu Ivan Valente, que foi uma das vítimas da ditadura militar ao ser preso e torturado.
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