Texto: Renato Cortez, para a Mídia Ninja. Originalmente publicado no Portal Ninja
A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação (Frentecom) tem novo coordenador: o deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) sucede à deputada Luiza Erundina (PSOL/SP) no comando da frente, cujo objetivo é acompanhar os debates relacionados ao direito à comunicação e a liberdade de expressão no Brasil.
A cerimônia de posse foi na tarde dessa terça-feira (23), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, e contou com a participação de parlamentares e representantes de entidades ligadas à temática da comunicação, além de cidadãs e cidadãos em geral.
Luiza Erundina lembrou que a frente é uma demanda da 1ª Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) e que a participação da sociedade civil na condução dos trabalhos foi fundamental para a sua consolidação. “Precisamos acumular forças junto à sociedade civil para continuar as transformações de que o Brasil necessita”, afirmou.

O novo coordenador, deputado Jean Wyllys, foi no mesmo sentido ao dizer que “é fundamental chamar a participação popular, pois são as entidades da sociedade civil que dão o norte do nosso trabalho”, reiterando a importância da parceria com a população nos debates relativos ao direito à comunicação.
A tentativa de ruptura democrática camuflada de processo de impeachment da presidenta Dilma e as consequências para a liberdade de expressão foram objeto de preocupação dos parlamentares. Luiza Erundina frisou que a comunicação é um direito humano que encontra respaldo na nossa Constituição.
Jean Wyllys lembrou que cada um está inserido em outras lutas e por isso “precisamos dialogar com outras frentes do campo progressista para fortalecermos a nossa presença em meio à sociedade na luta contra a retirada de direitos”, mais uma vez ressaltando a necessidade de parceria entre parlamentares e população.

Agenda 2016/2017
A agenda 2016/2017 da frente foi lançada durante a cerimônia, com destaque para a defesa de uma internet livre, longe dos interesses de políticos e de empresas, especialmente as de telecom. A perseguição a blogueiros e midiativistas também está no escopo de atuação da frente, bem como o combate a qualquer tipo de censura.
Jean Wyllys afirmou que “querem calar os contrários ao impeachment”, citando atos do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), como a tentativa de utilizar os veículos da casa em benefício próprio ou o fim de convites para participação em programas da rádio e TV Câmara de parlamentares não alinhados com o deputado afastado.
A deputada Luiza Erundina aproveitou para falar sobre a censura que alguns candidatos às eleições municipais estão sofrendo por conta de leis aprovadas sobre a presidência de Eduardo Cunha, impossibilitados de participar de debates televisivos. Ela mesma, uma das atingidas pela censura, disse que o PSOL é um dos mais prejudicados, citando o caso de Marcelo Freixo no RJ.
“Parece que fazem leis nessa casa querendo enfraquecer o PSOL, mas quanto mais nos atacam, mais nos fortalecemos”, disse Erundina, destacando a força de Jean Wyllys nas redes sociais e na desconstrução do discurso de ódio que atualmente contamina o debate político. “A cultura do ódio dificulta o trabalho dentro desta casa, mas nós seguiremos na construção dos nossos sonhos e utopias”, finalizou a deputada.

