Atual vereador de Fortaleza, João Alfredo foi homologado, neste domingo, como candidato da Frente de Esquerda Socialista (PSOL e PCB) à Prefeitura de Fortaleza. Em um contexto de ataques a direitos, mas também de mobilizações populares, João disse que representará “a Fortaleza que resiste” – frase que será o mote da campanha. “Nós não temos nenhum compromisso com o capital. Nem o capital imobiliário, nem o capital das empresas de ônibus ou das empresas de lixo. Nós vamos fazer uma cidade para as pessoas e vamos apresentar o programa dos movimentos sociais”, afirmou.
O candidato explicou que o programa de governo está sendo construído de forma participativa, por meio de encontros que têm reunido estudiosos e ativistas. Em sua fala, destacou algumas das propostas que serão apresentadas, como a radicalização da participação popular, com a definição e o acompanhamento da execução do orçamento de forma participativa, e a proteção ambiental. Como vereador, João criou três áreas de proteção ambiental, número superior ao registrado nas gestões de Luizianne Lins e Roberto Cláudio.
A política habitacional também será um dos focos da campanha do PSOL e do PCB. A vice da chapa, Raquel Lima, é ex-moradora e liderança da Comunidade do Alto da Paz, no bairro Vicente Pizon, em que 340 famílias foram removidas pela ação truculenta da Guarda Municipal da gestão de Roberto Cláudio, em 2014. Indo de encontro à lógica da especulação imobiliária que faz de Fortaleza uma das cidades com maior déficit habitacional do país, ela defendeu moradia e melhores condições de vida para toda a população. Uma das únicas mulheres na disputa eleitoral deste ano, afirmou que “uma nova Fortaleza vai nascer, com as mulheres ocupando o seu lugar”.

O deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Chico Alencar, participou da convenção e elogiou a chapa formada pelo PSOL e pelo PCB. Chico disse que “a política está sequestrada pelo poder econômico, pela demagogia, pelo capital” e que o papel da esquerda é o de resgatar a política e fazer com que ela seja voltada aos interesses das maiorias sociais. Também no encontro em Fortaleza, o presidente do PSOL, Luiz Araújo, listou os objetivos do partido nas eleições: ser um polo contra o conservadorismo; aglutinar todos que foram às ruas contra o contra o golpe e contra a retirada de direitos; evidenciar as pautas que a política tradicional oculta; representar as lutas populares e conquistar gestões que modifiquem a vida das pessoas. “Nós queremos governar para radicalizar a democracia no Brasil, para empoderar as pessoas e construir, com elas, outra sociedade”, destacou.
Araújo destacou que a Direção Nacional do PSOL está, em todo o país, esforçando-se para que “esta seja uma campanha da renovação política”. Nesse sentido, ressaltou a importância da eleição de bancada de vereadores e vereadoras do PSOL. Em Fortaleza, trinta e cinco candidaturas à Câmara Municipal foram lançadas. São ambientalistas, professores, ativistas de movimentos de bairros, do setor sindical e das lutas relacionadas à defesa dos direitos humanos e ao combate às opressões que expressarão essas diversas lutas tanto na campanha quanto no parlamento municipal.
Com a mesma alegria, o deputado estadual Renato Roseno também manifestou apoio às candidaturas oficializadas no encontro. A chapa, disse, afirmará que “essa cidade não será do capital”. Na sua avaliação, as demais candidaturas à prefeitura “querem fazer da campanha um enfadonho roteiro de quem fez mais asfalto, se foi a prefeitura anterior ou o atual. Eles querem disputar quem foi o melhor gestor que agradou o capital e reprimiu a periferia. Mas nós não deixaremos”, afirmou, ressaltando que o partido lutará para garantir a presença de João nos debates televisivos. “Como você retira do debate alguém que tem mais de quarenta anos de militância, de ecologia, de defesa dos direitos humanos?”, questionou.
Além do Partido Comunista Brasileiro (PCB), outras organizações políticas marcaram presença e manifestaram apoio às candidaturas de João Alfredo e Raquel Lima, entre as quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Nova Organização Socialista (NOS), a Unidade Popular pelo Socialismo, Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS). Todas reforçaram a necessidade de unificar a esquerda para fortalecer a luta contra o governo Temer e frear o processo de ataques aos direitos que está sendo efetivada no país.

