*Em carta, vereador João Alfredo (PSOL-Fortaleza-CE) critica a demissão de servidores/as que fizeram greve e convoca a população a resistir a mais esse ato, que considera “arbitrário e covarde”.
Companheir@s, camaradas e amig@s,
Escrevo movido por sentimentos de pura revolta e indignação.
Nos meus mais de 30 anos de militância política e social, não havia tido notícia, aqui em Fortaleza, da demissão de trabalhadore(a)s do serviço público pelo exercício do Direito de Greve, como a que agora atingiu 10 servidore(a)s – com promessa de mais cortes – da autarquia de trânsito (a AMC) da Prefeitura Municipal de Fortaleza.
Trata-se de um ato vil, cruel, covarde e fascista, para dizer o mínimo. A ironia, o escárnio, é que ele foi perpetrado pela prefeita (Luizianne Lins) de um partido (o PT), cujo líder maior (o Lula), há mais de 30 anos, foi preso e processado pela Lei de Segurança Nacional por ter liderado as greves no ABC paulista ainda durante a Ditadura Militar.
Os nomes desse(a)s servidore(a)s demitido(a)s foram, irresponsavelmente, expostos no saite da prefeitura e nos jornais, sem que se tenha conhecimento de que lhes tenha sido garantido o sagrado – e elementar – direito de defesa.
Para instalar o terror no seio do conjunto do(a)s servidore(a)s municipais, se atingiu primeiramente o elo mais fraco da corrente: o(a)s que ainda estavam em estágio probatório.
Os argumentos esgrimidos para justificar o decreto de demissão não ficam nada a dever aos utilizados pelos juristas da ditadura ou pelos piores advogados patronais.
NÃO PODEMOS NOS CALAR DIANTE DE TANTA ARBITRARIEDADE, TANTA IGNOMÍNIA, TANTA VILANIA!
NÃO TEMOS O DIREITO DE FICARMOS INDIFERENTES!
Temos que denunciar o mais amplamente esse ato arbitrário e covarde.
Temos que prestar a mais ampla solidariedade – de classe, democrática, humana – a(o)s trabalhadore(a)s demitido(a)s.
INDIGNEMO-NOS, INDIGNEMO-NOS, INDIGNEMO-NOS!
Pois, só assim, saberão que não compactuamos com essa vilania.
Pois só nos indignando é que saberão que não nos rendemos ao discurso fácil do poder.
Que não mudamos de discurso, de prática, de lado.
O nosso lado é o da luta!
O nosso lado é o da classe trabalhadora!
O nosso lado é o dos direitos conquistados, às custas de muito sangue, suor e lágrimas!
O nosso Carnaval será de luto, mas, acima de tudo, de luta, denúncia e solidariedade.
Abraços indignados,
João Alfredo Telles Melo
Advogado, professor e vereador pelo PSOL em Fortaleza

