As mulheres da Irlanda conseguiram um feito importantíssimo. Na última sexta-feira, 25 de maio, foi realizado um plebiscito que consultava sobre a revogação da 8° emenda, que na legislação local proibia a prática do aborto mesmo em caso de risco de morte para a mulher. Uma esmagadora maioria escolheu pelo SIM!
Esse plebiscito veio somente após a morte da jovem Savita, há cinco anos, que teve o acesso ao aborto negado e veio a óbito por complicações com a gestação. Por pressão do movimento feminista socialista ROSA (sigla em inglês para “Por direitos reprodutivos, contra a opressão, austeridade e sexismo”) coletivo impulsionando por mulheres do Partido Socialista da Irlanda, a sociedade Irlandesa foi pautada e chamada a refletir e questionar as sua tradições retrógradas, preconceituosas e misóginas.
Laura Fitzgerald, do ROSA, em declaração para o PSOL diz: “como parte deste movimento, o coletivo ROSA foi pioneiro na desobediência civil com a distribuição de pílulas de aborto jogando, assim, um papel vital para fazer o establishment político ceder e aceitar a proposta de lei sobre as 12 semanas. Essa mudança é parte de uma onda feminista global e agora devemos fazer com que ela seja, também, anticapitalista e socialista”.
A vitória nas urnas foi de quase 70% pelo SIM, com destaque para a participação e engajamento da juventude, classe artística, classe médica, movimento LGBTs, sindicatos etc. Em algumas regiões como Dublin Bay South a apuração de urna chegou a quase 80%! Um país com raízes conservadores como a Irlanda traz para nós as receitas necessárias para que avancemos na nossa realidade brasileira: a combinação de mobilização, diálogo e pressão no parlamento e judiciário, além do corpo a corpo nas ruas.
Hoje, no Brasil, temos a ADPF 442/2017, de autoria do PSOL e do Instituto Anis, que está nas mãos da ministra Rosa Weber para relatoria. Não temos dúvidas que uma pressão das ruas possa influenciar no julgamento dessa ação de descumprimento de preceito fundamental, porque o fundamental mesmo para nós, mulheres, é o direito àvida, em qualquer lugar do mundo.
Ficamos felizes com essa grande vitória das mulheres irlandesas: o direito de decidir sobre seu corpo! Essa vitória nos inspira na luta internacional pela legalização do aborto, para que nenhuma mulher a mais seja penalizada e morta em decorrência da negativa e omissão do Estado!

