Desde a terça-feira passada (02) ocupação na ALES exige que projeto que acaba com a cobrança do pedágio na ponte que liga Vitória à Vila Velha seja aprovado. Pedido de vista retirou o projeto de pauta e manifestantes afirmam que só saem após votação
Cerca de 150 pessoas, entre estudantes, integrantes do movimento passe livre e militantes de organizações de esquerda, ocupam, desde o último dia 2 de julho, as dependências da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, em Vitória. Na pauta de reivindicações está o fim do pagamento do pedágio na Terceira ponte que liga a capital do Estado (Vitória) à vizinha Vila Velha. O valor de R$ 1,90 é cobrado nos dois sentidos da ponte e quem mora em Vila Velha e, por exemplo, trabalha em Vitória paga esse valor duas vezes todos os dias.
Segundo o presidente do PSOL do Espírito Santo, André Carvalho, que participa da ocupação desde o início, a manifestação começou na última terça-feira (02), quando o projeto que acaba com o pedágio (PDL 69/201) estava previsto para ser votado no plenário da Assembleia. No entanto, um pedido de vista, apresentado pelo relator deputado Gildevan Fernandes, do PV, retirou o projeto da pauta.
De acordo com André, a manobra causou espanto imediato nos manifestantes, que acompanhavam a sessão da galeria do plenário, uma vez que já havia um acordo para que o projeto fosse votado naquele dia. “Assim que soubemos da retirada do projeto da pauta, descemos para falar com os deputados e entender o que estava acontecendo”, explica André Carvalho. Ao chegarem ao corredor de acesso ao Plenário, os manifestantes se depararam com homens da Tropa de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar. Os policias lançaram spray de pimenta na tentativa de dispersar os manifestantes, mas depois de muita pressão e enfrentamento com a PM, eles conseguiram entrar na sala da presidência da ALES, por volta das 18h da mesma terça-feira.
Na quarta-feira (03), houve uma reunião dos integrantes da ocupação com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Teodorico Pherraço (DEM), oportunidade em que foi estabelecida uma negociação e fechado um acordo que permite a permanência das pessoas até a votação do projeto. Agora, a ocupação está concentrada no segundo andar do prédio da ALES, em um auditório próximo ao restaurante. “Com o compromisso dos deputados de retomarem os trabalhos do plenário e votarem o projeto, decidimos sair da presidência e ocupar outra área”, explica André Carvalho. No entanto, segundo o presidente do PSOL, a promessa de que eles retomariam os trabalhos legislativos não foi cumprida e a maioria dos deputados decidiu obstruir as sessões de segunda, terça e quarta-feira desta semana. O argumento dos parlamentares para não trabalhar é a segurança, que, segundo eles, está ameaçada com a permanência dos manifestantes na Casa.
“A Mesa Diretora pediu que saíssemos da Casa para que eles pudessem votar os projetos, inclusive o que acaba com a cobrança do pedágio na 3ª ponte, mas a maioria decidiu sair somente depois da votação da matéria”, ressalta André Carvalho. A decisão foi tomada em assembleia nesta quinta-feira (11) e a orientação é manter a ocupação enquanto os deputados não aprovem o projeto. A data prevista para a votação é a próxima segunda-feira, 15 de julho.
Como resultado da pressão da ocupação, foi determinada, pelo Tribunal de Contas do Estado, a realização de uma auditoria nas contas da empresa concessionária da ponte. O objetivo é verificar se há adequações legais a fazer na cobrança para usar a ponte e rodovia concedidas por licitação. Mas a disposição dos militantes é continuar mobilizados até que o valor seja definitivamente revogado.
Manifestantes permanecem na Assembleia Legislativa do Espírito Santo até votação do fim do pedágio na ponte
Do site do PSOL Nacional, Leonor Costa

