A Câmara dos Deputados e o Senado Federal voltam a funcionar normalmente nesta terça-feira (2), quando será aberta a sessão legislativa de 2016. A temperatura será a mesma do fim de 2015: amontoam-se fortes denúncias de corrupção contra Eduardo Cunha (PMDB/RJ).
Neste domingo (31), empresários da Carioca Engenharia acusaram o presidente da Câmara de ter cinco novas contas no exterior até então desconhecidas. O jornal Folha de São Paulo teve acesso a documentos dos empresários que comprovariam mais transferências de propina para liberar verbas do fundo de investimentos do FGTS para o empreendimento do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.
A tabela de transferências bancárias à qual a Folha teve acesso foi entregue pelos engenheiros à Procuradoria Geral da República (PGR) em acordo de delação premiada da Operação Lava-Jato. Leia a reportagem completa clicando aqui.
As transferências totalizariam US$3,9 milhões entre 2011 e 2014. A tabela a seguir, produzida pela Folha, descreve os pagamentos:

No fim do ano passado, após diversas manobras do grupo ligado ao deputado, o Conselho de Ética da casa aprovou a continuidade do processo movido pelo PSOL e pela Rede contra Cunha, pelas acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, bem como por ter prestado falso testemunho à CPI da Petrobras, quando negou ter contas no exterior.
A partir desta terça-feira, Cunha tem o prazo de 10 dias para apresentar sua defesa no Conselho de Ética da Câmara. Com as novas denúncias, a expectativa é que a sua situação no órgão deve se deteriorar ainda mais.
Antes mesmo dessas acusações, Cunha já era alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de receber cinco milhões de dólares em propina e de manter outras quatro contas secretas na Suíça. Mesmo assim, o deputado pediu recentemente, com cinismo gigantesco, que o STF paralisasse as investigações contra ele.
O STF analisa, também, o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de afastamento de seu mandato. Para justificar o pedido, o procurador citou onze fatos que comprovam que Cunha usa o mandato de deputado e o cargo de presidente da Casa para intimidar colegas, réus que assinaram acordos de delação premiada e advogados.
O Supremo fixou o mês de fevereiro como prazo para concluir a análise do pedido de afastamento. Os trabalhos no tribunal serão retomados nesta segunda-feira (1º).

