A greve dos metroviários de São Paulo trouxe uma série de questionamentos das pessoas ao comportamento desses trabalhadores em relação aos transtornos causados ao povo de modo geral.
Normalmente essas pessoas que criticam a luta de quem faz greve nunca fez uma greve ou sequer participou de qualquer manifestação em defesa dos direitos que ele mesmo usufrui, tais como trabalho de 8 horas, férias de 30 dias, 1/3 de férias, direito a cesta básica, ticket refeição, pagamento de horas extras, plano de saúde, aposentadoria, licença maternidade, etc.
Essas pessoas ignoram que todos os direitos e beneficio foram frutos de lutas históricas da humanidade que se acumulam e perpetuam entre as gerações.
Muitos criticam que a greve prejudicou uma pessoa que iria para o hospital, ou quem arrumou o primeiro emprego, ou quem tinha prova na escola ou faculdade. Esse comportamento é básico do discurso individualista que é propagado pela imprensa, o qual traduz uma forma de dominação de quem detêm os meios de comunicação para uma sociedade em que a educação é apenas saber ler e escrever.
A falta de investimento na educação não é por acaso, e faz reproduzir essa forma de pensamento sem uma cultura aprofundada, no sentido de entender os comportamentos dos governos, dos meios de comunicação, dos formadores de opinião e outros. Por isso, não podemos exigir o entendimento dessas pessoas de que a luta é um mecanismo dos que não vivem de favores, não se calam diante da injustiça, não ficam esperando pelos outros e não têm uma visão exclusivamente individual da vida.
Os lutadores enfrentam muitas dificuldades e às vezes pagam com o próprio emprego uma luta coletiva, mas quem tem a capacidade de entendimento coletivo jamais se submeterá aos desmandos dos opressores de plantão, pois sabem que sua luta deixará frutos para as crianças do futuro e não deixará de existir apesar da ignorância de muitos pais de hoje.

